<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8298410</id><updated>2011-07-08T16:43:12.056+01:00</updated><title type='text'>nneditorial</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://nneditorial.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nneditorial.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Notícias do Nordeste</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10884603007081570217</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>31</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8298410.post-5168379736495878262</id><published>2010-10-06T13:58:00.010+01:00</published><updated>2010-10-06T19:05:23.238+01:00</updated><title type='text'>“Portugal é uma treta!”</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;P&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;enso que se não tivesse uma esperança de transformação, a minha existência seria impossível, tendo em consideração a agitação com que os deuses enfermaram esta minha personalidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Recuso-me a acreditar na hecatombe de um país com mais de oito séculos de história, mas a cada dia que passa constrói-se no meu ser uma espécie de revolução interior que me faz pensar que a Batalha de São Mamede foi um triste acidente na história da Península Ibérica e que o D. Afonso Henriques é o único responsável pela situação a que chegou Portugal. Será isto o princípio da minha adesão aos conceitos do Iberismo? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A geografia das pilhagens e das conquistas desse tempo são as únicas acções responsáveis pela construção e consolidação sucessiva de um rectângulo cujos limites se desenharam à custa de muitas chacinas e de muitos mouros degolados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isto a que chamamos Portugal, no panorama da história, se foi erigindo com feição real e alegórica, e século após século se foi sobrepondo num cenário de fantásticos feitos que fecundaram um místico reino caracterizado por uma beata moral, a tal moral geradora do encanto e da beleza da nossa ilustríssima lenda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma lenda encantada que monta os mares em cima de Barca, de Barinel, de Nau ou de Caravela.Portugal é isso: uma lenda, uma eterna fantasia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma lenda absurda e passadista onde se movem os reis com um só olho, as bruxas de vassoura em riste, corujas de pio agoirento, duendes malabaristas e gnomos “pinóquianos”. Também existem os eunucos, aqueles eunucos pérfidos e venais que o Zeca tão bem retratou num jorro de poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os outros são figurantes, milhões de figurantes, com o comportamento de personagens de banda desenhada e que de quatro em quatro anos se animam num automatismo imagético, ao preencherem com opinião o universo das sondagens, e ao colocarem a cruzinha no boletim de voto com um certo brilhozinho nos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estes, sempre dispostos a acreditar e a ter uma inesgotável esperança, eu chamo de cidadãos e de eleitores, os meus verdadeiros compatriotas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Portugal é uma treta!”.Ouvi isto dizer a um jovem calmamente sentado numa mesa de café, mas com uma convicção tão profunda que acabou por me perturbar. E confesso que no sopro da emotividade com que a expressão foi sacudida, me decidi a concordar momentaneamente com ele. Por isso escrevi este texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Efectivamente Portugal é isto que nós temos, e não é preciso mais qualificações! A actual realidade de Portugal é um mau adjectivo por inerência com a sua história. Uma metáfora arcaica e sem evolução. Um país de treta, com responsáveis de treta e com governantes de treta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este foi e parece continuar a ser o reino da demagogia, do salve-se quem puder, das clientelas sem escrúpulos, do desmazelo social, das elites bota-de-elástico; o país da cunha, do tráfico de influências, dos tachos, dos tachinho e dos tachões; da fuga aos impostos, da justiça lenta, da má educação, da falta de civismo e de um grotesco comportamento de rico numa lamentável república de “pé descalço”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um país onde impera a corrupção, a mentira, a fobia do défice orçamental, a ignorância, a preguiça, o parasitismo, a mediocridade, o facilitismo e agora o Partido Socialista. É um pais à deriva e com muita pouca esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portugal é um barco sem rumo, sem tripulação e sem timoneiro capaz de perceber que o quadrante marcado pelo astrolábio do Terreiro do Paço está errado e que assim jamais nos conseguiremos afastar do dúbio turbilhão das “estrelas” que no passado, tal como no presente, nunca nos souberam apontar o futuro. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8298410-5168379736495878262?l=nneditorial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nneditorial.blogspot.com/feeds/5168379736495878262/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8298410&amp;postID=5168379736495878262' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/5168379736495878262'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/5168379736495878262'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nneditorial.blogspot.com/2010/10/portugal-e-uma-treta.html' title='“Portugal é uma treta!”'/><author><name>Notícias do Nordeste</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10884603007081570217</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8298410.post-1100854519889068620</id><published>2009-03-28T19:33:00.007Z</published><updated>2009-03-29T00:58:53.273Z</updated><title type='text'>Em defesa dos comboios</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Também eu recebi com estupefacção a notícia do encerramento de mais duas centenárias linhas ferroviárias que durante anos e anos rasgaram a barreira do isolamento a que muitas das nossas aldeias estavam sujeitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os ramais ferroviários do Tâmega, do Corgo e do Tua são os últimos vestígios de um país que a dada altura se preocupou com os povos indígenas que ocupavam um espaço territorial delimitado por montanhas gigantescas onde chegar era muito mais difícil do que ir buscar pimenta à Índia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse milenar isolamento só em parte começou a ser quebrado pelo programa do governo do visionário Fontes Pereira de Melo, ministro da Regeneração, altura em que foi criado o primeiro Ministério das Obras Públicas no país. É nesse período que na região, e particularmente na zona do Douro Transmontano, são lançadas importantes obras de construção viária para, ao que parece, ser dinamiza a economia do vinho, do vinho fino do Douro, que já nesse tempo se constituía  como um dos principais produtos das exportações portuguesas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda metade do séc. XIX é sem dúvida uma época em que a macrocefalia da capital oferece qualquer coisa de novo e revolucionário a este interior de indígenas pasmados perante a monumental ronceirice da tecnologia do vapor que chega ao vale do Tua em 1884. E na década inicial do pretérito século já às montanhas do Tâmega, do Corgo, do Tua e do Sabor tinham chegado catadupas de homens para rasgar estreitos carreiros com o afinco e a labuta de laboriosas formigas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando a Monarquia caiu e a República se impôs como uma jovem e bela figura feminina a exibir desnudos, carnudos e abundantes seios, já o comboio silvava em Trás-os-Montes entre o vale, a montanha e o planalto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos alvores do séc. XX Trás-os-Montes era efectivamente uma região aberta ao mundo, encontrando-se equipada, e bem, com infra-estruturas que lhe permitiam a comunicação com o exterior. Entrava-se na região através da Linha do Douro e depois seguia-se para Chaves, para Bragança ou para Miranda do Douro através dos ramais ferroviários do Corgo, do Tua e do Sabor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem estuda História, não descarta a hipótese de que esta região poderá nessa altura ter acreditado num novo mundo, numa nova vida. Mas não. Nada aconteceu de verdadeiramente novo aqui. Se houve esperança, ela depressa se desvaneceu e os homens da terra vergaram novamente os rostos ao solo à procura dos parcos grãos de centeio para encherem a barriga dos filhos que miravam seus pais de olhos esfaimados e espantadiços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois foi o que se sabe, mas na escuridão das trevas o silvo do comboio rompia diariamente o estertor de um silêncio imposto pela férrea vontade de um ditador, dos seus lacaios e dos insuportáveis correligionários de que ainda hoje há semente em preocupante germinação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, durante quase todo o séc. XX o comboio foi para todo Trás-os-Montes um elo imprescindível e fundamental que operava a ligação com o exterior, escoava mercadorias e permitia os fluxos de pessoas, bens, ideias e de algumas conspirações. Nessa altura Trás-os-Montes era uma terra com homens e com mulheres que amanhavam o campo ao ritmo do sol e criavam catadupas de filhos que desde muito cedo aprendiam o verdadeiro significado do valor do pão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os meninos de olhos espantadiços tornavam-se lentamente jovens ao ritmo de um comboio ronceiro, e depois do comboio passar olhavam em seu redor o silêncio enquanto pensavam e pensavam. Nas tardes de chuva invernal escarafunchavam entre as brasas da lareira da casa paterna os seus sonhos luzidios, gizando com a tenaz os projectos de um futuro diferente. E depois da tropa à procura dos seus sonhos iam embarcados nesse mesmo comboio que só parava junto ao mar. Uma vez apeados por lá ficavam a povoarem as fábricas e os estaleiros onde haviam de mais tarde construir o seu grito de revolta. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O comboio ritmou indelevelmente os ciclos conjunturais da História transmontana de todo o séc. XX e se outros motivos não houvessem eu fundamentaria nessa História o principal argumento para defender os ramais de linha estreita do Tâmega, do Corgo e do Tua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há muitos mais e variados motivos para pugnar pela continuidade destas linhas e, - porque não ?-, para exigir a reabertura da do Sabor. Não vou falar sobre as vantagens para a região da continuidade e manutenção destas vias-férreas, mas será sobretudo no turismo e na utilização racional das fontes de energia que nós iremos encontrar as suas principais vantagens. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Numa altura em que o caminho-de-ferro começa a ser revigorado na maioria dos outros países europeus, criando-se, exactamente, um intricado de ramificações de linhas estreitas a cobrir de forma homogénea as diferentes regiões, eis que Portugal, mais uma vez, ruma em contra-ciclo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se fizermos um pequeno feed-back no tempo facilmente percebemos que a destruição não começou há muitos anos e coincidiu com um pico de políticas neoliberais em que Cavaco Silva foi o grande obreiro e protagonista. Foi ele que encerrou a Linha do Sabor e encerrou troços significativos das linhas do Tua e do Corgo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bom que alimentemos a memória para percebermos algumas debilidades de posições actuais e sobretudo a responsabilidade histórica de actos devastadores de muitos daqueles que nos governaram ou continuam a governar. Portanto, se o actual Governo decidir encerrar estes troços ferroviários, à semelhança do que Cavaco Silva fez nos anos noventa do séc. XX, juro com sinceridade que não me admiro, ou não estivéssemos nós a atravessar mais uma dessas fases em que os números, as percentagens e os ratios mediatistas contam mais do que as pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho para mim que José Sócrates e Cavaco Silva comungam da mesma fé neoliberal e como tal não aceitam que investimentos públicos não atinjam os níveis de rendibilidade dos investimentos privados, mesmo que sirvam as pessoas e toda uma região em avançado processo de desertificação humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se encerrarem estas três vias, facto que ainda não está verdadeiramente deliberado, amputarão, com toda a certeza, mais um pedaço de todos nós. Por isso, este é um motivo mais do que suficiente para nos manifestarmos, para gritar a injustiça, para agir, para não deixar, para reivindicar e sobretudo para resistir.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8298410-1100854519889068620?l=nneditorial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nneditorial.blogspot.com/feeds/1100854519889068620/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8298410&amp;postID=1100854519889068620' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/1100854519889068620'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/1100854519889068620'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nneditorial.blogspot.com/2009/03/em-defesa-dos-comboios.html' title='Em defesa dos comboios'/><author><name>Notícias do Nordeste</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10884603007081570217</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8298410.post-541368816244824810</id><published>2008-11-03T22:32:00.001Z</published><updated>2008-11-03T22:41:44.405Z</updated><title type='text'>As palavras</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Há uma imensidão de erros que nos nascem das palavras. Eu sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há dias em que as palavras são lançadas na vida como pedaços de sentimento reflectido e depois pairam solitárias até repousarem como exemplo no pretérito dos verbos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palavras são os projectos sinceros da nossa acção, o esqueleto do pensamento, a estrutura dos sonhos e da dinâmica histórica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palavras são marcas que tingem a alma dos dias. Através delas construímos a vida, transformamos o mundo e moldamos o futuro. Nelas, nas palavras, no combate verbal, na nossa expresão, vertemos o amor, vertemos o ódio, o pensamento e a revolta. Há quem diga que as palavras são a feição do no nosso ser, a parte significado do nosso significante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem palavras não vivo, ou preferiria não viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, o que realmente me irrita, o que me arrepia, o que me revolta são os seres sem palavras. Os seres que sem palavras assistem a tudo com uma resignação de escravo. Os seres que não reagem a nada, mesmo que seja com um grunhido. Os seres que assistem a tudo com uns olhos de cão submisso e mesmo se calcados não bufam o sentido da dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ser sem palavras vive apenas preocupado com a sua vidinha, uma vidinha bem arrumadinha no aconchego familiar. E não diz mal do Governo, ou do Presidente da Câmara, ou da oposição ou do patronato. Muito menos se importa com coisas comezinhas da política, da ciência, da filosofia ou da poesia. O ser sem palavras apenas usa as palavras para rezar, e assim sendo utiliza sempre as mesmas palavras, porque a vida está uma carestia e não se pode desperdiçar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se a região está moribunda, ou se a cidade se despovoa, o ser sem palavras encolhe os ombros e de vez em quando até assobia uma música de Quim Bareiros de costas voltadas para o lado dos olhos do tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Discutir não lhe interessa, participar não lhe interessa, debater não lhe interessa, reivindicar não lhe interessa, a região não lhe interessa, o país não lhe interessa…apenas lhe interessa a sua casinha, o seu empregozinho, a sua doce e sagrada família, o valor da sua casinha, o valor do seu quintalzinho e o perdãozinho divino que há-de um dia alcançar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um ser sem palavras sussurra. Apenas sussurra. E no sussurro diz mal do vizinho e depois reza e depois comunga; aponta o dedo ao vizinho e depois reza e depois comunga; trama o vizinho e depois reza e depois comunga, e se pudesse até expulsava o vizinho da existência terrena e depois fazia uma penitênciazinha de resignação e ficava assim perdoado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um ser sem palavras é um provinciano sem a alma arreigada na terra que lhe farta os poros da carne. Um ser sem palavras é um homem resignado, um homem pardo, um homem sem interesse social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um ser que não tenha palavras para verter no vento, para se indignar, para amar, para transformar ou para fazer a revolta… não é, nem pode ser um ser democrata!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai Trás-os-Montes, como estás emudecido!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8298410-541368816244824810?l=nneditorial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nneditorial.blogspot.com/feeds/541368816244824810/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8298410&amp;postID=541368816244824810' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/541368816244824810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/541368816244824810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nneditorial.blogspot.com/2008/11/sem-palavras.html' title='As palavras'/><author><name>Notícias do Nordeste</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10884603007081570217</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8298410.post-7133961027622397517</id><published>2008-08-03T12:02:00.011+01:00</published><updated>2008-08-04T14:16:25.352+01:00</updated><title type='text'>O Tua é o mais belo rio que corre pela minha aldeia</title><content type='html'>&lt;table style="MARGIN-TOP: -26px" width="0" align="left" hspace="10"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://www.noticiasdonordeste.com/player/jw_flv_player/flvplayer.swf " width="288" height="215" type="application/x-shockwave-flash" flashvars="height=215&amp;amp;width=288&amp;amp;file=http://blip.tv/file/get/Noticiasdonordeste-Editorial366.flv&amp;amp;image=http://img.photobucket.com/albums/v484/noticiasdonordeste/noticias/riotuaeditorial.jpg&amp;amp;searchbar=false&amp;amp;overstretch=true&amp;amp;showstop=true&amp;amp;usefullscreen=false&amp;amp;autoscroll=true&amp;amp;shuffle=true" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:78%;"&gt;&lt;i&gt;Rio Tua- Veja o Vídeo&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;Talvez haja quem não compreenda a importância sentimental de um rio. Eu vivi entre três e quero que a minha alma ribeira não seja adulterada. Quem não compreende os rios não compreende a paisagem e o seu todo da geografia humana. Ainda ninguém me conseguiu explicar o porquê da necessidade da Barragem de Foz Tua. Mas mesmo que me expliquem, eu jamais o compreenderei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os rios formam as pessoas, assim mesmo, formam-nos desde criança com os sons, as lendas, os bichos e com os arvoredos que lhe adornam as margens. Quem sentir um rio, sente o significado minúsculo de uma parede de xisto, mas sente-a como a força gigante de um trabalho antigo que ali foi depositado para encanar a água até ao cubo do moinho ruinoso do Ti Alfredo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este sentir não é para todos, é apenas para aqueles que sempre cresceram com os rios e que deles lamberam nas margens milenares que o tempo escavou a água a escorrer por entre os dedos das mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um rio antigo convive com os deuses antigos. E quem sempre com um rio conviveu sente o real significado das religiões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um rio não tem explicação. Ou se sente, ou não se sente. E se me dizem que vão adulterar o Tua eu fico quieto e triste a senti-lo inteiro enquanto o tempo escorre entre o fraguedo para o matar na foz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é preciso matemática nem argumentos da economia e da política para defender um rio, não são precisos argumentos da linguagem percentual. A beleza e a paisagem não se constroem num dia. E para mim este é o verdadeiro argumento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois, como diz o poeta, um rio, um verdadeiro rio, um rio que se molda a si próprio “não faz pensar em nada. Quem está ao pé dele está só ao pé dele”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8298410-7133961027622397517?l=nneditorial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nneditorial.blogspot.com/feeds/7133961027622397517/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8298410&amp;postID=7133961027622397517' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/7133961027622397517'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/7133961027622397517'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nneditorial.blogspot.com/2008/08/o-tua-o-mais-belo-que-o-rio-que-corre.html' title='O Tua é o mais belo rio que corre pela minha aldeia'/><author><name>Notícias do Nordeste</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10884603007081570217</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8298410.post-7857389403113267180</id><published>2008-04-25T01:33:00.002+01:00</published><updated>2008-04-25T02:16:44.478+01:00</updated><title type='text'>Sei que te lembras daí</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Sei que te lembras daí, onde estás. Porque os mortos têm memória; aquelas memórias que deixam a quem amam e que é espólio inalienável. Quero que te lembres hoje dessa flor a que aspiravas nos teus silêncios antigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje o tempo é outro. Um tempo cinzento e tão debruado de negro como aqueles fins de tarde em que o bufo, chamavas-lhe tu, passava e martelava no chão as tachas das botas que calçavam uns pés de arrasto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tínhamos uma telefonia antiga que sintonizava em onda curta a Rádio da Liberdade.&lt;br /&gt;Colocavas um copo de água em cima do rádio para os bufos não ouvirem. Dizias tu que assim não ouviam que tu estavas a ouvir as notícias livres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me dos teus silêncios e de pronunciares alguns desabafos quando o Marcelo falava. Era um fascista, esse tal de Marcelo, o herdeiro do Salazar. Um fascista como tantos outros de hoje, digo eu hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A princípio não entendia porque te zangavas, ou porque sorrias, com as palavras da rádio. Mas todos os dias, metodicamente, lá ias tu encher o copo de água que colocavas em cima do aparelho que zunia sons e ruídos longos. Lembras-te?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ficavas assim, sentado, a olhar não sei o quê. Traçavas teu dedo indicador oblíquo sobre os teus lábios se eu ao brincar falava mais alto, porque a rádio não podia ter muito volume.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei agora que tinhas medo. Medo talvez de nos perder. E por isso tinhas aquele ritual estranho e sussurravas palavras inaudíveis aos ouvidos da mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu era criança e não entendia a tua aflição, a tua inquietação, os teus desejos mais secretos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eras um homem triste. Faziam-te triste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas um dia, ainda muito cedo, gritaste. A principio não entendi toda aquela algazarra, toda a tua alegria a jorrar logo pelo cedo da manhã, falavas apenas uma palavra de que eu não entendia o sentido, e exclamavas, gritavas, sorrias, e aquela palavra sempre a verter dos teus lábios como se um dique de cravos tivesse explodido do teu coração. A palavra era simples e achei-a bonita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liberdade: era esse o vocábulo que dizias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estávamos no dia 25 de Abril de 1974. Desde essa altura que a fonética da palavra Liberdade se me entranhou na carne e se tornou num órgão vital da minha existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liberdade…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pai…agora sou eu que ando triste. Fazem-me triste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pai, este dia é teu. Este dia é meu. Este dia é nosso!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8298410-7857389403113267180?l=nneditorial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nneditorial.blogspot.com/feeds/7857389403113267180/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8298410&amp;postID=7857389403113267180' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/7857389403113267180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/7857389403113267180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nneditorial.blogspot.com/2008/04/sei-que-te-lembras-da.html' title='Sei que te lembras daí'/><author><name>Notícias do Nordeste</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10884603007081570217</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8298410.post-4480913725553584563</id><published>2008-04-20T01:16:00.003+01:00</published><updated>2008-04-20T01:27:36.179+01:00</updated><title type='text'>“Pense globalmente, aja localmente”</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Na minha acção tenho sempre presente os princípios de Jane Goodall, e sobretudo a sua grande máxima: “Pense globalmente, aja localmente”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palavras da senhora Goodal inserem-se numa praxis conservacionista e activista que concebe a mais pequena manifestação de vida em função de uma estrutura e de uma orgânica biológica solidária e planetária. Todos sabemos que a natureza tem essa fabulosa capacidade de se reestruturar, de se adaptar, de se recriar, contudo, essa aptidão tem alguns limites e são já hoje bem evidentes os malefícios para a natureza e para o planeta a lógica económica, destrutiva e pouco sustentável que actualmente domina este nosso mundo capitalista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As terríveis transformações que se operaram a partir da Segunda Guerra Mundial, sobretudo nos países da Europa Central e do Norte, no Japão e nos EUA, são sem dúvida alguma as causas mais evidentes de um processo destrutivo do nosso ambiente e, por consequência, do futuro onde se incluí a vida dos nossos filhos. Em pouco tempo o petróleo e as restantes fontes de energia prepararam o aparecimento de um novo homem. Um homem mais consumista, mais individualista, mais materialista, mais egoísta, mais poluidor. A esse homem designaram-no de evoluído e puseram-no a habitar num mundo de inacreditável e supérfluo conforto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De um momento para o outro, na sociedade e na cultura, passou apenas a valer as cotações na bolsa, o dinheiro, o imediato, o presente, o agora, a hipócrita aparência… e assim se foi esquecendo o futuro, a nossa inequívoca dimensão espiritual, e sobretudo a noção de um tempo outro, aquele outro tempo que virá e onde serão criados os filhos de nossos filhos e os filhos dos filhos dos nossos filhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma exagerada ganância entranhou-se no comportamento humano, e metodicamente transformou-se no epicentro onde actualmente radicam todas as suas (grandes) decisões. Este individualismo materialista começa agora a ter consequências sérias, mas mesmo assim nada ou quase nada está a ser feito para remediar a situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As chuvas ácidas, o efeito de estufa, a destruição da camada do ozono, a extinção de espécies, as alterações climáticas e a maior incidência de doenças fatais são apenas alguns exemplos dos sintomas que anunciam um planeta enfermado, o mesmo planeta que pertence a todos os seres vivos, onde habitam biliões de espécies sem culpa alguma e onde também coexiste o único e grande culpado por esta gradual destruição: aquele bicho superiormente inteligente e que orgulhosamente designamos por ser humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na senda e na aprendizagem de alguns conceitos da primatóloga Jane Goodall, mas sobretudo porque estas e tantas outras questões ambientais me preocupam, é que eu também me assumo como um conservacionista; um “partidário” incondicional do “pensar globalmente para agir localmente”, porque só assim, só com o compromisso de cada um poderemos travar a doença que começa a carcomer o planeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É urgente fazermos uma introspecção séria sobre o nosso enquadramento na natureza e começar desde já a colocar em prática pequenos gestos quotidianos que, embora insignificantes em cada um de nós, multiplicados por todos, dariam um excelente contributo para aquietar a doença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou dispensar a enumeração desses pequenos gestos, porque tenho a garantia absoluta que todos sabem quais são. O importante é termos a consciência da responsabilidade e da obrigação de garantir o equilíbrio da natureza, mas sobretudos termos a clara noção de que por causa do futuro dos nossos vindouros não temos o direito de utilizar egoisticamente e indiscriminadamente os recursos do presente em prol deste nosso efémero individualismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pense nisto, mas sobretudo pense nos seus filhos, pense nos seus netos, pense nos seus bisnetos. E já agora, pense globalmente e aja localmente! E para começar, porque não vai hoje ao mercado a pé - ou de bicicleta - e não começa a utilizar com natural habitualidade os Ecopontos da sua terra?!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8298410-4480913725553584563?l=nneditorial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nneditorial.blogspot.com/feeds/4480913725553584563/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8298410&amp;postID=4480913725553584563' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/4480913725553584563'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/4480913725553584563'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nneditorial.blogspot.com/2008/04/pense-globalmente-aja-localmente.html' title='“Pense globalmente, aja localmente”'/><author><name>Notícias do Nordeste</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10884603007081570217</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8298410.post-5181170301122614523</id><published>2008-02-15T22:14:00.009Z</published><updated>2008-02-16T01:31:48.353Z</updated><title type='text'>Um tempo à beira do limite</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;A demagogia e a mentira são os sinais que mais marcam os tempos que correm, e só ignorará esta realidade quem definitivamente deixou de acreditar neste país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O absurdo chegou a tal ponto de desfaçatez que hoje em dia aceita-se já como normal o mais vil dos atropelos a direitos fundamentais que a democracia saída do 25 de Abril outorgou a todos os portugueses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem folhear a Constituição da Republica Portuguesa, facilmente se aperceberá que um dos direitos fundamentais dos portugueses é a protecção na saúde, uma protecção que o estado está obrigado a prestar através de um serviço nacional, geral e tendencialmente gratuito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No artigo 64º da Constituição pode ler-se que, entre muitas outras obrigações, incumbe ao estado assegurar o direito à protecção da saúde e garantir o acesso de todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica, aos cuidados da medicina preventiva, curativa e de reabilitação, assim como garantir uma racional e eficiente cobertura de todo o país em recursos humanos e unidades de saúde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto é o que garante a Constituição da República Portuguesa, outra coisa é o que efectivamente está a ser garantido pelo Estado a alguns dos portugueses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem tivesse dúvidas sobre a demagogia do ex-ministro da saúde e dos atropelos sucessivos que a sua pseudo reforma impôs aos direitos fundamentais dos transmontanos, facilmente se elucidou quando uma gravação que chegou às Atenas da SIC testemunhava a existência de um pedaço de país real e desprotegido, onde um socorro de primeira instancia, fundamental e decisivo na ténue linha que separa a vida da morte, só chega 2 horas depois do SOS ser activado. O caso de Favaios é um caso pedagócico e que deve ser utilizado como exemplo realista até à exaustão, porque nos transmite a dimensão real do estado da saúde nesta terra transmontana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As reformas proclamadas pelo ministério da tutela para este sector nada mais são do que a destruição do Sistema Nacional de Saúde (SNS), uma evidência que está a ser imposta aos portugueses em nome de não sabe bem o quê, mas que, no prisma de uma análise empirica, parecem obedecer em exclusividade a uma certa lógica comercial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não deixa de ser sintomático o interesse que de imediato algumas empresas que fazem o seu lucro com a doença transmitiram para abrirem negócios em Mirandela e em Chaves, cidades transmontanas donde foram retirados alguns serviços estatais basilares de saúde e garantes da qualidade de vida dos habitantes destes centros urbanos regionais, e tudo isto em nome de um processo reformista que não augura nada de bom nem para nós, nem para o futuro dos nossos filhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se existe um potencial mercado nestas cidades para o comércio da saúde, é lógico que o cidadão comum se interrogue sobre o processo pouco explicado que subjaz às políticas estatais para o SNS, esse mesmo SNS que parece querer retirar-se estrategicamente de uma região para potenciar a procura dos serviços prestados por privados, dos mesmos serviços, de todos aqueles serviços que o estado subtraiu das obrigações constitucionalmente estabelecidas para com os cidadãos desta e doutras regiões classificadas como periféricas mas que, ao que se sabe, ainda continuam a ser portuguesas. Ou já não o são?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É mais do que evidente que neste, assim como em muitos outros sectores, são os interesses empresariais e economicistas que se sobrepõem aos direitos constitucionalmente instituídos; mas o mais lamentável de tudo isto é o facto da enorme massa de afectados assistirem a todo este retrocesso de forma hesitante e quase moribunda em expressividade e revolta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os cidadãos afectados não poderão continuar a assistir desta forma pachorrenta a uma espécie de inocentado colectivo de certos abusos de poder. Urge reagir, reivindicar e lutar pelos direitos que nos estão a ser subtraídos de forma inconstitucional e abominável. Mas reagir, reivindicar e lutar, deve ser um acto permanente e potenciado por todas as energias e sinergias localmente estabelecidas, provenham elas de que sectores sociais, culturais ou políticos provirem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, por isso, este um tempo de exigir, de dizer basta e de apagar definitivamente este breu do nosso espírito e da nossa acção, para começar desde já a pensar num país novo, num país igual, num país inteiro e com a garantia de um tempo nosso, livre, democrático e sem limitações à lei básica do povo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;br /&gt;E se nos quiserem tirar os direitos constitucionalmente vigentes devemos desde já avisar os senhores políticos que primeiro têm que redigir uma outra constituição! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8298410-5181170301122614523?l=nneditorial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nneditorial.blogspot.com/feeds/5181170301122614523/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8298410&amp;postID=5181170301122614523' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/5181170301122614523'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/5181170301122614523'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nneditorial.blogspot.com/2008/02/um-tempo-beira-do-limite.html' title='Um tempo à beira do limite'/><author><name>Notícias do Nordeste</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10884603007081570217</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8298410.post-5113230908667946204</id><published>2008-01-12T18:50:00.000Z</published><updated>2008-01-12T18:54:33.341Z</updated><title type='text'>Sinopse de um novo projecto editorial</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#333333;"&gt;Nasce a partir de hoje um novo jornal.&lt;br /&gt;O Notícias do Nordeste é um jornal digital generalista de edição diária e concebido com os recursos tecnológicos que actualmente os suportes electrónicos de distribuição online permitem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto órgão de informação regional centrará a sua acção na região do Nordeste Transmontano, onde estabelecerá a sua sede de redacção e rede de colaboradores. Alfândega da Fé, Bragança, Carrazeda de Ansiães, Freixo de Espáda-à-Cinta, Macedo de Cavaleiros, Miranda do Douro, Mirandela, Mogadouro, Torre de Moncorvo, Vila Flor, Vimioso e Vinhais serão os concelhos sobre os quais recairá a principal atenção deste novo órgão regional de informação. Contudo, será de realçar o destaque que o Notícias do Nordeste também pretende dar a toda a região de Trás-os-Montes e Alto Douro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assente num suporte exclusivamente digital com distribuição gratuita via internet, o Notícias do Nordeste estará dotado de uma base de dados que arquivará todos os textos e conteúdos que forem sendo publicados nas suas páginas, construindo-se deste modo um arquivo electrónico que irá revelar a história da publicação durante os anos da sua vigência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estrutura e nomenclatura obedecerão a um esquema de página principal onde serão indicados os título do dia, os diversos destaques e todas as secções (Entrevista, Reportagem, Sociedade, Região, Cultura, Opinião, Política, etc.) que integram esta publicação. A partir dessa página principal, também comummente designada de página de entrada, o leitor terá a possibilidade de “navegar”, ler e usufruir das outras 40 páginas que estão previstas para esta edição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prevê-se que na sua fase inicial o Notícias do Nordeste receba entre 500 e 1000 visualizações diárias da sua página de entrada, o que corresponderá a um igual número de leitores que navegarão pelas diferentes secções e textos que aí se apresentarem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Notícias do Nordeste será estruturado por conteúdos informativos diversos, e á semelhança das edições electrónicas de referência nacional e internacional, fará também recurso das possibilidades de transmissão de notícias multimédia. Além do esquema tradicional do texto acompanhado por fotografia(s), o vídeo e o som (podcast) serão os recursos complementares a serem utilizados por este jornal electrónico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Notícias do Nordeste integrará um recurso semanal suportado em arquivos de PDF, também disponível de forma gratuita a partir da sua secção intitulada NNPDF. Nesta secção serão reunidas todas as notícias publicadas no jornal ao longo da semana, de forma a que os leitores as possam ler directamente no computador ou imprimir a partir das sua própria impressora. O objectivo é reunir em cerca de 20 páginas de formato A4, devidamente tratadas por um sistema de paginação e design, uma síntese da semana informativa, destacando-se desse modo o que de mais significativo aconteceu na região transmontana.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8298410-5113230908667946204?l=nneditorial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nneditorial.blogspot.com/feeds/5113230908667946204/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8298410&amp;postID=5113230908667946204' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/5113230908667946204'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/5113230908667946204'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nneditorial.blogspot.com/2008/01/sinopse-de-um-novo-projecto-editorial.html' title='Sinopse de um novo projecto editorial'/><author><name>Notícias do Nordeste</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10884603007081570217</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8298410.post-2828682940516833376</id><published>2007-08-20T22:59:00.000+01:00</published><updated>2007-08-20T23:00:27.324+01:00</updated><title type='text'>Notícias do Nordeste prepara remodelação</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;Está a chegar ao fim a primeira fase do Notícias do Nordeste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A periodicidade com que as notícias estão a ser colocadas aqui no NN tem sido de menor cadência, mas tal deve-se ao facto de estar em curso uma reestruturação geral deste informativo que chega à região, ao país e a todo mundo da lusofonia através do seu suporte digital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O NN, com apenas 3 anos de vida e um total de 400 mil visitantes, surgirá a partir de Outubro com um novo rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estabelecido agora num espaço próprio e com uma estrutura de redacção montada na cidade de Macedo de Cavaleiros, as suas próximas edições serão o resultado de um processo de solidificação que o jornal atravessou, depois de ter trilhado um percurso de metamorfose que o levou de um projecto experimental a um projecto definitivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda a equipa que faz o NN está desde há algum tempo numa completa azáfama para tentar colocar o novo modelo no ar a partir do dia 7 de Outubro de 2007, altura em que se completa o seu 3º aniversário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os seus responsáveis garantem um modelo de jornal mais dinâmico, de design mais atractivo, melhor dimensionado e com uma base de dados mais eficaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A grande aposta será feita de forma gradual nos sistemas de comunicação multimédia, com recurso a notícias, reportagens, entrevistas e documentários distribuídos em vídeo e em podcast.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro segmento de distribuição gratuita de notícias e informação do NN assentará em edições extra baseadas em suporte PDF.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir do Outubro, o NN além de poder ser lido na Internet estará também preparado para ser impresso e lido em qualquer lugar, à semelhança do que faz a Rádio Renascença com a sua Página 1, ou como fazem os dois exemplos pioneiros de edição PDF surgidos na Europa, nomeadamente em Espanha com o caso 24 Horas do jornal “ El País”, e em Inglaterra com o G24 do jornal “Guardian”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A periodicidade do “NN edição em PDF” será semanal, no entanto, e caso um qualquer acontecimento extraordinário assim o justifique, o “NN edição em PDF” poderá ter duas ou mais edições durante a mesma semana. Desta forma todo o Nordeste Transmontano continuará a ser permanentemente actualizado, e se você não gosta, não tem tempo ou paciência para estar em frente a um computador todos os dias a ler notícias, de futuro essa não será uma válida desculpa para não ler o NN.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Doravante, o NN estará preparado para qualquer leitor o imprimir a partir da sua impressora, meter no bolso e levar consigo, para que no Sábado de cada fim-de-semana se possa actualizar sobre o que de mais significativo aconteceu no Nordeste Transmontano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No futuro, o “NN edição em PDF” garantirá uma visão global sobre a região, numa publicação ultraleve condensada em formato A4 que poderá variar entre as seis e as doze páginas, e que você poderá imprimir directamente e em escassos minutos em sua casa antes de ir para a praia, para o campo, para um qualquer café, ou simplesmente para a sombra e a pacatez do seu jardim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jornal Notícias do Nordeste materializa, deste modo, o espírito de um grupo de cidadãos que habitam e trabalham no Nordeste Transmontano, veiculando um esforço colectivo sem quaisquer fins lucrativos e que tem como único objectivo contribuir para o arranque de uma dinâmica progressista na região.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8298410-2828682940516833376?l=nneditorial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nneditorial.blogspot.com/feeds/2828682940516833376/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8298410&amp;postID=2828682940516833376' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/2828682940516833376'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/2828682940516833376'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nneditorial.blogspot.com/2007/08/notcias-do-nordeste-prepara-remodelao.html' title='Notícias do Nordeste prepara remodelação'/><author><name>Notícias do Nordeste</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10884603007081570217</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8298410.post-2698326726406656918</id><published>2007-05-31T02:40:00.000+01:00</published><updated>2007-07-06T20:00:45.535+01:00</updated><title type='text'>Ai, eu estou quase morto no deserto… e Lisboa aqui tão perto</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt; Aqueles que sonham são mais propensos à esperança, ou a lucubrações pictóricas preenchidas com sinónimos prenhes de boas alegorias. Mas há dias em que lucidez lhes barre o consciente e lhes coloca arestas nos círculos imaginários. Assim me aconteceu, ou assim me acontece frequentemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de um optimista e sonhado regresso à terra que me gerou, percebi, com algum desalento, que o futuro em Trás-os-Montes é pouco atractivo, que a sociedade transmontana é feita de preconceitos, que as castas ou laias anódinas granjeiam um infrutífero poder e que a região teima em embrulhar-se “numa manta rota, negra e piolhosa”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por causa desta pobreza, que para mim é uma realidade com um sólido gigantismo, dei-me um dia destes a discutir a região com um velho amigo meu. Há dias em que me dou a certos desvarios, como esse de discutir a região.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A determinada altura da disputa verbal com o meu amigo, a conversa descambou para as elites culturais indígenas e para a discussão sobre o seu contributo num processo de transformação do enclausurado “status quo” regional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de muita “pedra partida”, de algumas argumentações válidas, de uma análise consciente e de algumas vociferações menos pensadas, chegamos a uma conclusão pouco brilhante, por ser também uma constatação demasiadamente facilitada pela realidade do dia-a-dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Efectivamente, para lá de assentarmos na verdade da não existência de uma elite cultural capaz de promover a discussão sobre o “estado da terra” e de fomentar um “lobbie” ideológico susceptível de granjear reconhecimento público para promover com a sua influência uma transformação realista e justa, concluímos que essa discussão está entregue a um grupo de pessoas que fundam e solidificam a sua intervenção social, cívica e política num partido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os que intervêm nesta terra a nível político fazem-no por intermédio de um partido, e esse tem sido o fundamento do grande desarranjo de Trás-os-Montes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um partido político, como muito bem se sabe, não vê a região como uma unidade geográfica organicamente autónoma, com carências específicas e condicionalismos económicos, sociais e culturais particulares. Um partido político, e muito particularmente os seus mais representativos militantes, vê a sua região por intermédio de um olhar alógeno; geralmente a partir do “nobre pensamento” das castas dirigentes que vivem na macrocéfala capital, ou então que vivem em outros oásis similares e que de lá espreitam pelo canudo opticamente desacertado este deserto artrítico em que neste momento e a esta hora se está a transformar Trás-os-Montes e de uma forma geral todo o interior deste pequenino país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, e infelizmente, os políticos locais e regionais têm um único objectivo que é o seu carreirismo político individual frequentemente ancorado na cega obediência à hierarquia partidária, porque também é aí que reside a fundamentação do seu poder, cujos benefícios depois vão partilhando como migalhas com as “claques de apoio” que frequentam as sedes e cerceiam a “luz” numa terra cada vez mais pincelada com acinzentado silêncio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;Um partido, é por isso, e pelo que eu tenho constatado, uma massa acrítica e seguidista de um líder mais ou menos carismático que se for necessário esmaga uma região em nome do défice público, do seu interesse pessoal ou de uma qualquer outra sordidez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste estado com 33 anos de democracia existe um único sacrificado no processo referendário da representatividade popular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, esse sacrificado, é bom que se diga, tem um nome: chama-se interior!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se os “algozes” do interior, que frequentemente habitam no litoral, afirmarem ou mesmo argumentarem que uma reforma é boa para os provincianos, logo todos os provincianos ligados ao partido do poder se põem a acenar que sim com a cabeça, sem que essa ideia de reforma seja criticamente discutida ou até rejeitada pela sua estrutura partidária local e regional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos por isso à conclusão, eu e o meu amigo, que a ausência de dinâmicas críticas, dentro e fora dos partidos, é a razão charneira do estado a que chegou Trás-os-Montes: uma região que perdeu em média 13 habitantes por dia entre 1950 e 2001. E estes números não têm em conta os censos dos últimos seis anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se descontarmos os 48 anos do processo de despovoamento e de atrofiamento socio/económico e cultural da região, atribuível à responsabilidade dos fascistas portugueses, resta-nos 33 anos de responsabilidade política atribuível aos governos democráticos do PS e do PSD.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer isto dizer que o processo revolucionário que alterou o regime da nação há 33 anos em nada se repercutiu neste rincão de terra que se estende para cá do Marão. A mentalidade não se alterou, a sociedade continuou fechada e o desenvolvimento económico "vê-se por um canudo" .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se há responsabilidades políticas na situação a que chegou Trás-os-Montes, é também justo que se diga que este atraso estrutural se deve em muito aos nativos, aos tão famosos transmontanos que parecem ter mergulhado num letárgico existir, numa espécie de sonolência imprópria ao homem que gosta de se transformar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8298410-2698326726406656918?l=nneditorial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nneditorial.blogspot.com/feeds/2698326726406656918/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8298410&amp;postID=2698326726406656918' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/2698326726406656918'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/2698326726406656918'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nneditorial.blogspot.com/2007/05/ai-eu-estou-quase-morto-no-deserto-e.html' title='Ai, eu estou quase morto no deserto… e Lisboa aqui tão perto'/><author><name>Notícias do Nordeste</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10884603007081570217</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8298410.post-436355693317062543</id><published>2007-04-01T16:41:00.000+01:00</published><updated>2007-04-01T23:53:59.506+01:00</updated><title type='text'>O Museu que  perdeu a Alma</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;A saída do Doutor Gaspar Martins Pereira da Direcção Técnica do Museu do Douro constitui um verdadeiro terramoto na curtíssima história desta instituição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As altíssimas qualidades e competências de trabalho do investigador da Faculdade de Letras do Porto são sobejamente conhecidas, e não há ninguém que possa negar que a proficiência do professor é das melhores que existem neste país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem, por alguma razão, trabalhou com o Historiador especialista na História do Douro sabe que assim é. Por isso, são fundamentadas as preocupações de Artur Cascarejo, Presidente da Câmara Municipal de Alijó, quando afirma, e com razão, que “o professor Gaspar é praticamente insubstituível” nesta fase de institucionalização do Museu do Douro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o Professor Doutor Gaspar Martins Pereira é insubstituível, pelo menos nesta fase, porque foi ele que desde sempre se impôs como a alma deste museu, porque foi ele que germinou a ideia, e porque foi ele que a alimentou com o seu pensamento e a fez crescer com o seu trabalho e com o trabalho de todos os seus colaboradores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem ele, que fez germinar a semente que já deu algum fruto (o fruto suficiente para os corvos de sempre começarem a debicar), este museu corre sérios riscos de ser atingido por uma triste e aridíssima estiagem, igual a tantas outras que têm fustigado o Douro como um malvado vento suão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste, como em tantos outros exemplos, mais uma vez a mesquinhez, a tacanhez, a incompetência, e porque não dizer, a medíocre mediania, se manifestam como uma adaga que mata ou que fere de morte os bons projectos. E o Museu do Douro era um bom projecto para a região.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez seja nesta politiquice, nesta irracionalidade incompreensível e sem sentido que mata logo á nascença o que bem feito está, que reside a explicação para este nosso subdesenvolvimento.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8298410-436355693317062543?l=nneditorial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nneditorial.blogspot.com/feeds/436355693317062543/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8298410&amp;postID=436355693317062543' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/436355693317062543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/436355693317062543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nneditorial.blogspot.com/2007/04/um-museu-que-perde-alma.html' title='O Museu que  perdeu a Alma'/><author><name>Notícias do Nordeste</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10884603007081570217</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8298410.post-116831018574041052</id><published>2007-01-09T02:34:00.000Z</published><updated>2007-01-09T10:11:08.696Z</updated><title type='text'>Os predadores e os outros</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;O mundo é dos medíocres. Num genial artigo publicado há duas semanas atrás no Semanário Expresso, Clara Ferreira Alves dizia isso mesmo. E dizia-o com o elegante dizer que só os grandes escritores, como a Clara Ferreira Alves, conseguem fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A articulista do Expresso desnudou de forma hilariante a “mediocracia” instalada neste canteiro de beira-mar já sem flores, nem cores nem cheiros. A esses, aos medíocres, a escritora abriu-lhes as entranhas do ser, examinou-lhes a essência da sua psicologia e serviu o resultado dessas observações aos seus leitores, num gesto grande e simpático modelado em forma gráfica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é que ainda não tivéssemos sentido o que Clara Ferreira Alves sentiu ou sente quando fala da escuridão que avassala este país, o que não conseguimos foi expressá-lo de forma tão clara e real como a jornalista do Expresso o conseguiu fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz a escritora que aqui (neste país) “&lt;em&gt;pulula e prolifera uma raça que não deixa os outros medrar. É uma raça assustada, espécimes em constante vigilância e assustados com a prevaricação, temendo que forças superiores e desconhecidas os arrastem dos postos e os corram pelas ruas como cadáveres inimigos. Duma revolução&lt;/em&gt;”. Nada melhor observado. Nada mais tristemente real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma raça, diz Clara Ferreira Alves. Mas, afinal, quem é essa raça?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escritora descreve-a, disseca-a e aponta-a objectivamente, com todos os pormenores e com todos os tiques que definem a espécie.&lt;br /&gt;Essa raça compõe-se pelos mais infelizes, pelos menos livres, pelos mais dependentes da bajulação, pelos hipócritas, pelos serviçais, pelos servidos, pelos lambe botas, enfim, numa palavra, pelos sofríveis. Sim, por esses mesmos Clara, por todos aqueles medíocres que se proclamam de “&lt;em&gt;reformistas por natureza, partidários do pequeno remendo, da pequena, da pequeníssima medida, e da simpatia calçada como uma luva&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas estes espécimes, como lhes chama Clara, vivem numa constante angústia, apesar de opulentamente exaurirem o que podem e o que não podem dos bolsos institucionais. E vendem trampa que tresanda, porque sabem insinuar-se entre os iguais. E de uma forma pedante alimentam-se e engordam no dia-a-dia, distribuindo hoje um abraço a quem lhes põe o prato recheado, para amanhã darem um valente coice a quem o prato cheio lhe pôs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Geralmente o medíocre é um gabarola, perde mais tempo a arranjar argumentos para disfarçar a sua mediocridade do que a dotar-se de instrumentos de instrução e aprendizagem para a ultrapassar. O medíocre é por esse motivo um predador especializado. Um vigilante de olho posto num único móbil e que ataca quando menos se espera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grande desespero dos medíocres é a sua própria existência e o medo constante de que “&lt;em&gt;o seu pequeno mundo se fine e seja substituído. Vivem no terror, o que os torna particularmente perigosos por causa do instinto da sobrevivência&lt;/em&gt;”. E, por isso mesmo, estão dispostos a tudo!, avisa-nos claramente a escritora e colunista do Expresso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há que ter ainda um cuidado redobrado para com os que, de entre todos, se enfileiram como os mais puros dessa raça, porque “ &lt;em&gt;a conspiração dos néscios nada é comparada com a conspiração dos medíocres, sempre em bicos de pés e mãos serviçais, irradiando simpatia e falsidade e tratando da vidinha&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clara Ferreira Alves, nesse seu texto, fala-nos de um mundo real, lamentavelmente real, mas sobretudo de um ambiente cosmopolita onde a escritora vive e que, apesar de tudo, sempre é muito mais aberto e dinâmico do que o ambiente vivido nesta terra ( região) de reis, reizinhos, pajens, serviçais sem escrúpulos e bobos com um só olho. Clara Ferreira Alves fala-nos de um país sentido quase moribundo, fala-nos de um pais embrulhado em negro onde a cor verdadeira é apenas uma esperada esperança. Mas ao falar desse país tem como modelo de observação os exemplares da capital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagine-se agora se Clara vivesse nesta terra e tivesse a oportunidade de escrever sobre outros cevados medíocres, sobre aqueles que como a erva daninha também por cá vão medrando e puindo com o tom de bolorento breu as misérias deste Nordeste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8298410-116831018574041052?l=nneditorial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nneditorial.blogspot.com/feeds/116831018574041052/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8298410&amp;postID=116831018574041052' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/116831018574041052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/116831018574041052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nneditorial.blogspot.com/2007/01/os-predadores-e-os-outros.html' title='Os predadores e os outros'/><author><name>Notícias do Nordeste</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10884603007081570217</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8298410.post-116572077088264832</id><published>2006-12-10T03:18:00.000Z</published><updated>2006-12-10T23:59:03.980Z</updated><title type='text'>São burros senhores…São Burros...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;Não é que os burros me causem admiração, há-os por aí aos montes, e alguns deles com a infeliz graça divina de serem bípedes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que adoro a ternura sincera com que os burros verdedeiros olham as pessoas, e se outra razão não houvesse para gostar de burros, chegar-me-ia a doçura do seu olhar. Aliás, nunca percebi porque é que a alguns homens, quando despojados de inteligência, se costumam apelidar de burros. Deve ser um tremendo desconforto para o nosso amigo burro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda a gente sabe que os burros não são desordeiros, não roubam ninguém e que não põem a pata no seu semelhante. O burro é burro e eu gosto deles, ponto final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas confesso que não estou habituado a ver burros de quatro patas a passear na noite macedense, e sobretudo de uma forma tão descontraída, sem qualquer cabresto, nem humano a disparar chibatada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na noite de ontem, sabe-se lá porque razões pessoais dos burros, os bichos passeavam-se livres por Macedo, num grupo de três, número que apesar de não ser um ajuntamento, poderá constituir uma séria ameaça à ordem pública, pensarão certamente alguns dos seres também filhos de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas pelo que vi posso afiançar que não. Poderei mesmo ser arrolado como testemunha num futuro inquérito judicial, e vou exclamar a plenos pulmões que os meus amigos asininos se arrastavam calmamente, ordeiramente, civicamente, pelo passeio pedonal de uma artéria desta ilustre cidade. Achei aquilo digno de registo, tanto mais que a educação revelada por esses três animais, o seu civismo e a sua postura, constituía um modelar exemplo para muitos dos circunspectos cidadãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A visão foi por isso inesperada, ocasional e um pouco insólita. E como me faço acompanhar habitualmente da minha arma preferida, a DSC - R1 da Sonny, comecei a disparar o obturador, para que o facto pudesse figurar no meu banco de imagens pessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é precisamente aqui que começa o meu “crime social” . Ainda entretido com a recolha de uma boa imagem, sou interpelado por um agente da GNR local que me aborda de forma mal educada, começando por me insultar ( do tipo entre dentes: “és mais burro do que eles..”) , só pelo simples facto de eu estar a fotografar o acontecimento. Logo de seguida, e com a mesma postura pouco ortodoxa, o mesmo agente pareceu querer responsabilizar-me pelo facto de os meus amigos burros andarem a passear na rua de forma tão livre quanto a do vento:&lt;br /&gt;- “ Em vez de estar a tirar fotografias devia ir buscar uma corda e prender os bichos”, atirou-me o agente da autoridade sem papas na língua, como se eu fosse o responsável mor de tamanha profanação do espaço público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não ficaram por aqui a interjeições do nosso agente! Também sem quaisquer escrúpulos e com um grau de ignorância e incompetência inaceitáveis em sujeitos que têm por obrigação maior o respeito pelo cidadão, que têm por obrigação maior um conhecimento mínimo dos conteúdos legais e que devem dar os maiores exemplos de civismo e cidadania, ameaça-me com o seguinte:&lt;br /&gt;-“Você não sabe que não se podem tirar assim fotografias!!”. - Mas pode, retorqui-lhe eu. Pode porque estamos num país democrático e não num qualquer país teceiro mundista controlado por um ditador. (Esclareça-se aqui todos os leitores deste meu desabafo que não há nenhuma proibição para a recolha de imagens em espaços públicos no nosso país, que ainda concebo como democrático e livre, desde que essas imagens não exponham explicitamente pessoas, sem responsabilidades públicas, que não queiram ser expostas. Presumo também que os burros de ontem se estarão a borrifar pelo facto de eu recolher as suas imagens em grande plano!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, por acção de uma qualquer força inabitual em mim, sobretudo em assuntos ou questões relativas a atropelos da liberdade individual, consegui a calma necessária para não dar grande retorquimento a tal senhor, convidei o agente do Posto da GNR de Macedo de Cavaleiros a apreender-me a máquina fotográfica, coisa que não fez, e limite-me a dizer-lhe que se estivesse na presença de uma ou mais testemunhas seria o suficiente para lhe abrir um processo em tribunal pelo desrespeito com que me abordou, pelos insultos com que me brindou e, consequentemente, pelos danos morais causados à minha pessoa. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;Por isso, a conversa ficou por aqui, arranquei com o meu carro e vim despejar a indignação neste texto, para que fique o testemunho e a denúncia de uma situação que não pode nem deve acontecer num estado de direito democrático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando não confiarmos nas forças de segurança, vamos confiar em quem? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8298410-116572077088264832?l=nneditorial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nneditorial.blogspot.com/feeds/116572077088264832/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8298410&amp;postID=116572077088264832' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/116572077088264832'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/116572077088264832'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nneditorial.blogspot.com/2006/12/so-burros-senhoresso-burros.html' title='São burros senhores…São Burros...'/><author><name>Notícias do Nordeste</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10884603007081570217</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8298410.post-115810500437207985</id><published>2006-09-13T00:48:00.000+01:00</published><updated>2006-09-13T12:49:44.326+01:00</updated><title type='text'>O Medo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;Dizia Maquiavel no seu ensaio político intitulado “ O Príncipe”, no distante século XVI, que o príncipe devia, antes de tudo, e para um bom exercício do seu poder, impor aos seus “súbditos” o medo, porque, argumentava o filósofo renascentista, quem governa, - leia-se o príncipe de poder absoluto -, “deve procurar ser temido, em vez de ser amado”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com efeito, o medo sempre se revelou historicamente como uma arma com grande eficácia impositiva de vontades únicas, de intenções sem partilha ou de ideias sem debate. Em todas as grandes estruturas históricas, desde o esclavagismo passando pelo feudalismo, absolutismo, fascismo, comunismo até à democracia, que a vontade de um ou de um clã tem sido sistematicamente imposta, de forma mais ou menos descarada, através do medo. O medo ou a imposição do medo tem acompanhado a evolução estrutural que é a História, apresentando-se hoje com uma feição mais elaborada, diria mesmo requintada pelos métodos e pelas técnicas do “markting” dos estados democráticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em abono da verdade, a democracia tem funcionado também no nosso país assente em pressões e em medos. O medo de perder o emprego; o medo de não ter dinheiro para pagar a letra ao banco; o medo de ser colocado na prateleira; o medo de reclamar; o medo de dizer a verdade; o medo de dizer o que se pensa; o medo de participar, o medo ser excluído, marginalizado, ou o medo de intervir ou de não ter medo de dizer “basta!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nossa democracia, a democracia que é gerida pelas políticas sociais e económicas de apenas dois partidos desde 1974, assenta nessa filosofia maquiavélica que radica o absolutismo individualista ou de castas numa fórmula sectária que impõe medos e que nos dias de hoje controla e dirige a coisa pública baseando-se por exclusivo no princípio da legitimidade dada pelo acto eleitoral. Assente nessa base, aniquila as minorias reais, e tenta fazer a mesma coisa às minorias conjunturalmente menores que em determinada fase política formam aquilo que se designa por oposição. E em conexão com essas regras, a acção política de quem governa em dado momento coage, em cada época e a seu modo, uma multidão de receosos, apropriando-se dela pelo método da imposição de medos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E são esses medos que tornam as pessoas comodistas, pouco intervenientes, metidas com a sua vidinha, enquanto o descalabro e a falta de ética e de escrúpulos de algumas castas sociais, políticas e económicas deste país sem retorno, impõem prosápias e desbaratam com indevida apropriação os valores e as riquezas colectivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O medo existe e a vontade própria que integra o livre arbítrio de cada um refugia-se, na maior parte das vezes, num arranjo moralista ornado de cúpulas celestiais. “Se deus quiser tudo há-de melhorar”, ouve-se dizer hoje com a mesma retórica e com a mesma crendice com que no período medieval se sustentou a estrutura que tinha por exploradores do trabalho humano uma classe de improdutivos e oportunistas que ficou conhecida historicamente como a classe senhorial. E a vida concreta, aquela que se repercute directamente no nosso corpo, esse comensurável materialismo existencial que vê o homem como usufrutuário daquilo que ele mesmo produz, continua adiada, torce-se em rodilha de carga até ao extorquir da última gota de suor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este breve intróito serve apenas para sublinhar a ideia de que o modelo da nossa democracia é definitivamente um modelo falido; um modelo de medos, de imobilismos, de resignação, de incompreensível conformismo; um modelo que nos retira em nome de uma falsa concepção economicista direitos adquiridos; um modelo que caminha a passos largos para a concretização de um país em dois planos: um dos exageradamente ricos e outro dos miseravelmente pobres. Um modelo que nos bipolariza em dois reinos: o do litoral e o do interior. Um modelo que elege deputados que nada fazem, que nada defendem e que constituem apenas um encargo financeiro aos cofre do estado; um modelo que trata o interior como um embaraço e não como uma potencialidade susceptível de gerar riqueza comunitária; um modelo cada vez mais impositivo, menos dialogante, mais autoritário e menos solidário; um modelo que apenas descrimina positivamente os grandes interesses económicos e financeiros e que age sempre e repetidamente em função de estratégias eleitoralistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E para quem esperava ou depositou alguma esperança no governo de José Sócrates a resposta aí está!Todo o exercício de poder concreto que exerceu até ao momento confirma-o como adossado a uma estrutura liberal de ala cavaquista bem inserida nesse aludido modelo, adepto de um ultra-liberalismo “ à la Bush”e guardador indefectível da chave da gaveta onde Mário Soares meteu o socialismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um governo que fecha maternidades onde elas são necessárias; que reforma compulsivamente sindicalistas embaraçosos; que conluia em acordos secretos com a direita, embora seja um governo eleito através de um partido que se reclama de esquerda; que reestrutura a administração geral do estado de forma autocrática, impondo um molde de regionalização sem consulta popular ou com participação colectiva; um governo que impõe, que impõe e que impõe.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;Mas quiçá Sócrates e o seu executivo apenas estejam a seguir à risca os ensinamentos da cartilha de Maquiavel e não procurem ou estejam interessados em governar para os anseios do povo, em ouvir as suas reivindicações e ensejos, ou ainda em ser amados pela maioria desse mesmo povo que os elegeu, mas tão-somente, e nesta fase, apenas pretendam ser temidos, a julgar pela sua acção política nada dialogante, de contornos arrogantes e com uma autoridade que já não se experimentava desde o tempo de Salazar e de Cavaco Silva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falta saber é se Sócrates e seus correligionários interpretaram ou ouviram bem os conselhos de Maquievel, porque a determinada altura, o ensaísta que concebia ideias para políticas enquadradas num esquema absolutista de governação é bastante objectivo no seu ensinamento ao príncipe. Dizia ele: “o príncipe deve procurar ser temido, em vez de ser amado, mas deve evitar ser odiado, porque pode pôr em causa o seu poder”.&lt;br /&gt;Dizem também que entre o temor e o ódio vai uma distância com o calibre de um cabelo…. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8298410-115810500437207985?l=nneditorial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nneditorial.blogspot.com/feeds/115810500437207985/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8298410&amp;postID=115810500437207985' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/115810500437207985'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/115810500437207985'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nneditorial.blogspot.com/2006/09/o-medo.html' title='O Medo'/><author><name>Notícias do Nordeste</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10884603007081570217</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8298410.post-115093525205382754</id><published>2006-06-22T01:12:00.000+01:00</published><updated>2006-06-23T19:48:18.136+01:00</updated><title type='text'>Ainda a Barragem do Sabor</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;São quatro os concelhos que no passado dia 17 de Junho se associaram oficialmente para combaterem em comum os problemas relacionados com a seca e a desertificação do Nordeste Transmontano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alfândega Fé, Macedo de Cavaleiros, Torre de Moncorvo e Mogadouro reuniram conjuntamente os seus esforços na Associação dos Municípios do Baixo Sabor (AMBS), com o intuito de no futuro combaterem os problemas mais crónicos da circunscrição territorial que representam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira manifestação pública da AMBS foi o repto à Plataforma Sabor Livre para um processo negocial e de diálogo a fim de serem encontradas soluções comuns que sirvam as duas Associações. A questão centra-se na construção da Barragem do Baixo Sabor, que a AMBS considera como fundamental para estes quatro concelhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As negociações não se prefiguram de grande facilidade, uma vez que a Plataforma Sabor Livre se opõe por absoluto à construção do empreendimento, argumentando que se trata de uma obra com grandes impactos negativos sobre o património ambiental de todo aquele troço do rio Sabor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por esse motivo, há cerca de dois anos a Plataforma chegou a apresentar uma queixa na União Europeia com o intuito de obstaculizar a nível das instâncias europeias a barragem aprovada no tempo do anterior Governo do PSD.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, defendem os autarcas da Associação dos Municípios do Baixo Sabor que desde a altura em que a Plataforma apresentou a denúncia e os dias de hoje, muita coisa mudou. Em apenas dois anos o preço do petróleo subiu exponencialmente e face a esta “crise energética” que o mundo atravessa e de que Portugal é uma das principais vitimas, chegou-se mesmo a colocar a hipótese da construção de uma Central Nuclear no Nordeste Transmontano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez seja este o principal trunfo dos autarcas da AMSB, colocando a Plataforma Sabor Livre no centro desta questão retórica: que preferem vocês, uma Central Nuclear no rio Douro, ou uma barragem no rio Sabor? A pergunta estará naturalmente articulada com o preceito de que Portugal carece de energia produzida de forma limpa, o que efectivamente não deixa de ser verdade. Mas, e o mais importante de assinalar, é que esta predisposição para o diálogo manifestada pelos autarcas da AMSB parece revelar um corte com o passado e, acima de tudo, uma alteração da estratégia dos políticos para com os ambientalistas, deixando de os considerar como inimigos e empecilhos ao desenvolvimento, - como em tempos idos alguém os considerou -, para os convocar agora a uma conciliação de interesses que, na verdade, parecem inconciliáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O facto de presentemente estes autarcas preferirem as tréguas e o diálogo à confrontação “guerrilheira” de arrazoados técnicos e políticos é, desde logo, uma manifestação de inteligência política que não pode deixar de ser sublinhado. Contudo, surge tardiamente e peca por se configurar como pouco exequível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje percebe-se que no passado existiu uma fraca estratégia de actuação, porque a “esperteza política” de alguns responsáveis locais e centrais, sem sustentáculo técnico e saber argumentativo, tentou sobrepor-se e mesmo aniquilar o verdadeiro “saber científico”. Evidentemente que essa postura, em muitos casos eivada de um bairrismo regionalista sem préstimo, apenas serviu para ferir o orgulho de todos aqueles que durante anos a fio entregaram e entregam a sua vida ao processo quase altruísta da investigação científica, saldando-se esse desentendimento entre políticos e cientistas num extremar de posições que levou a Plataforma Sabor Livre até Bruxelas. Com este acto, aquele movimento ambientalista apenas pretendeu demonstrar que a legislação internacional sobre o ambiente estava a seu favor, e que o vale do Baixo Sabor no seu estado “selvagem” possui um valor inestimável a nível da região, do país e mesmo da Europa de que fazemos parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, no caso de se vir a optar pela construção da barragem no Baixo Sabor, já sabemos que há algo de grande valor ecológico que se vai perder, porque são os especialistas que o dizem, e como tal, e porque vivemos num país civilizado, é neles que temos de acreditar, e não em accões manipuladoras de algumas intentonas de cariz eminentemente astucioso. Mas num aspecto do discurso de todos aqueles que têm bradado argumentos a favor da construção desta barragem existe completa razão: o problema da água é uma das grandes questões do início deste século e Portugal precisa de se precaver com reservas estratégicas que no futuro possibilitem uma gestão sem sobressaltos dos nossos recursos hídricos. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;Este é o único argumento válido no discurso de todos aqueles que defendem a construção da barragem do Baixo Sabor. Todos os outros argumentos não passam de meras especulações que muitas vezes se situam, por exclusivo, na esfera dos interesses políticos e empresariais e nunca no domínio dos interesses regionais e da população nordestina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Argumentar a construção da Barragem do Baixo Sabor, por exemplo, com a necessidade de Portugal cumprir o compromisso de Kyoto é pura manobra de demagogia, como é ainda mais demagógica a argumentação de que a barragem poderá potenciar o desenvolvimento turístico e económico da região.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como sabemos, barragens há muitas mas não há um único exemplo em que se sinta de forma objectiva o contributo de uma barragem para o desenvolvimento turístico de uma localidade ou região. O conceito da barragem como pólo de desenvolvimento turístico local, ou como pólo de desenvolvimento económico local, não passa de uma arteirice passadista que surgiu no tempo do antigo regime. Não acharão pois os nossos eleitos, e todos aqueles que candidamente e depois de tantos exemplos continuam a acreditar no mesmo, que é altura de mudar a fita à cassete desse argumento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se nos situarmos por exclusivo no domínio da produção de energia, os proveitos para a região são os mesmos. Que contrapartidas concretas existirão para o Nordeste com os kilowatts que vão ser produzidos pelas turbinas da barragem do Baixo Sabor? Pergunte-se às gentes de Picote, da Bemposta ou do Pocinho, por exemplo, que são localidades que possuem três monumentais barragens junto das suas portas. Ou então pergunte-se aos nordestinos quais as contrapartidas positivas a nível do desenvolvimento local (ou até a nível do preço da energia) de que goza a região pelo facto da EDP ter instalado no rio Douro essas barragens. A resposta será concisa e redonda: zero!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, se há algum justificativo para a construção da barragem do Sabor e, consequentemente, para sacrificar esse raro e valiosíssimo património natural, essa justificação só tem uma argumentação plausível, e essa reside exclusivamente na necessidade de criação de uma grande albufeira capaz de potenciar os recursos agrícolas regionais e de se constituir como uma reserva de água estratégica que no futuro sirva o Nordeste e contribua para ajudar a manter os níveis estáveis do caudal no rio Douro. Este deveria e deverá ser o corpo argumentativo de quem defendia ou defende a construção da barragem do Sabor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a argumentação política tivesse seguido por essa via, talvez a questão pudesse ter sido enquadrada de forma diferente entre os ambientalistas, e tudo o resto, produção de energia e “desenvolvimento turístico” com que alguns políticos, e não só, “enchem” a boca, surgiria naturalmente e por acréscimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não foi isso que aconteceu. Em vez de se negociar, como agora se pretende, e de inteligentemente ter sido criada uma plataforma de entendimento, alguns políticos desta “praça quase deserta” preferiram bradar argumentos, fazer acusações falaciosas, provocar um ruído de tóxicos erros, pondo em causa, de forma quase grosseira, algumas das realidades ambientais do Rio Sabor. E o pior de tudo: tentaram desacreditar algumas das associações mais credíveis e credenciadas a nível do ambiente em Portugal. Por isso perderam. O estado português perdeu e a ser construída a barragem esta sairá inteirinha do bolso dos contribuintes deste país depauperado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Construa-se ou não a barragem, a pergunta que cabe fazer é a seguinte: Quem foi que ganhou com essa "guerra"? Certamente que os portugueses nada ganharam, e muito menos os Nordestinos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8298410-115093525205382754?l=nneditorial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nneditorial.blogspot.com/feeds/115093525205382754/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8298410&amp;postID=115093525205382754' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/115093525205382754'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/115093525205382754'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nneditorial.blogspot.com/2006/06/ainda-barragem-do-sabor_22.html' title='Ainda a Barragem do Sabor'/><author><name>Notícias do Nordeste</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10884603007081570217</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8298410.post-114626166557750533</id><published>2006-04-28T22:58:00.000+01:00</published><updated>2006-05-14T01:07:27.506+01:00</updated><title type='text'>A propósito de Abril, de falsos discursos, de 32 anos de promessas mal cumpridas, do 1º de Maio e de uma amálgama inteira de sentires</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;Houve um tempo em que as pessoas de esquerda se tratavam por camaradas.&lt;br /&gt;Desde o MRPP, donde provém, por exemplo, Durão Barroso, até ao PCP, onde militou Zita Seabra, que a expressão camarada irrompia da articulação labial como um ósculo de fé.&lt;br /&gt;O termo camarada era uma expressão de compromisso social que juntava numa vontade comum os princípios básicos da Democracia; os princípios básicos que uniam em comunhão geral todos os idealistas e materialistas, sempre incumbidos na defesa dos conceitos gerais de Liberdade, Igualdade, Fraternidade, Justiça Social e Paz.; esses mesmos princípios que mais objectivamente se partilhavam sobretudo à esquerda, num bloco do essencial ideológico (salve-se as problemáticas e vincadas diferenças) que ia do Partido Socialista até à extinta UDP.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não durou muito esta festa fraternal. Pouco tempo passado sobre a alegria dos cravos, essa filiação “esquerdista” do partido socialista foi metida na gaveta, numa estratégia propagandística que os futuros historiadores se hão-de incumbir de decifrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O partido socialista, um partido inicialmente proclamado de esquerda e que desde o início da revolução dos cravos se impôs socialmente com uma maior expressão social e capacidade política para pugnar pelos interesses dos ideais da esquerda, e pelos interesses de um país endemicamente atrasado, subdesenvolvido e terceiro mundista, foi aquele que ao longo destes 32 anos mais se metamorfoseou, até se tornar na “estrutura centrista” que hoje governa o nosso destino. Resultado: o “status quo” que alimentava a parafernália de um país “bota de elástico”- tal como Eça e Ortigão o descreveram nos finais do séc. XIX - manteve-se imutável e por variados interesses anti sociais, e sobretudo pelo adverso comportamento político que traiu a constituição resultante do 25 de Abril de 1974, Portugal transformou-se no que hoje é: um país carcomido de pobreza, desesperado, antinómico, triste, brando, resignado, injusto, atrasado, macrocéfalo e assimétrico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A essência deste país de hoje é da responsabilidade política de dois partidos, exactamente os mesmos partidos que ao longo de 32 anos de democracia não souberam cumprir os ideais de Abril e jamais conseguiram entender as razões do 1º de Maio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O país político em que vivemos hoje, depois de 32 anos de espasmos vários, alaranjou-se, rosou-se, e parece-me, a julgar pelas últimas preocupações dos serviços de segurança do estado, que se extrema cada vez mais num azul nacionalista e imbecil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta dilatação do tempo, a esperança some-se, a insatisfação aumenta, o ódio incendeia-se e os eunucos espreitam nas frinchas, exactamente como no tempo que antecedeu o tempo da “outra senhora”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta demora em concretizar a esperança é já um tempo sem nada, onde os relógios parados escorrem como plasticina sem vida, derramados e pingantes, ao jeito estético de Dalí. Este é o tempo em que todos duvidamos de todos e principalmente dos políticos que ao longo destes 32 anos foram perdendo o respeito e o interesse da população devido à sua reincidência na monótona mentira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é neste contexto agachado à beira mar, onde se sussurra a história de heróis marinheiros e anedotas reais do salve-se quem puder, que de vez em quando nos surge um personagem com um carácter ironicamente redentor, um personagem com palco sólido e palavras pausadas que vão sendo vertidas em espiral e a um ritmo pardo de calculados gestos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 25 de Abril de 2006 Cavaco Silva surpreendeu muita gente com as suas palavras, com o seu discurso de contornos mais sociais e contrário aos sinais dos tempos. Um discurso que parecia imanar de um antigo camarada; um discurso “vermelho” mas sem cravo na lapela; no fundo um discurso cínico, hipócrita e talvez terminal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O discurso de Cavaco Silva no dia 25 de Abril foi uma verdadeira “pedrada no charco”, mas foi uma daquelas pedradas que respinga apenas alguns “compinchas”, deixando enxutos os verdadeiros amigos que sorriem de longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, este discurso não surpreendeu os genuínos camaradas de um país de gente quase gasta. E isso porque um discurso é apenas um discurso, e um discurso político é apenas mais uma mão cheia de palavras semeadas no tempo dos relógios parados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O discurso de Cavaco Silva é um discurso tardio, sem tempo, ou com tempo insuficiente para apanhar o tempo perdido. No fundo, o actual Presidente da República depositou na lixeira das palavras vãs mais um chorrilho de falsas vontades; no fundo profanou o âmago de uma data, um símbolo e uma história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos sabemos da impossibilidade e da abstracção das palavras contidas no discurso de Cavaco Silva, da sua quota-parte de responsabilidade política pelo país socialmente injusto e regionalmente assimétrico em que hoje vivemos e que ironicamente, no dia 25 de Abril de 2006, ele mesmo denunciou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabemos todos que nenhuma das suas palavras terá qualquer tradução no real, porque também não temos um governo capaz de imprimir acção aos gestos de boa vontade e de empenhamento transformador. Tudo se há-de protelar em jogos de interesses mesquinhos centrados num litoral sem rosto e cada vez mais neo-liberal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os discursos, esses discursos redentores que brotam da cadeira do poder, ficarão apenas durante escassos momentos no ar, em forma de palavras que em alguns segundos mediaticamente planam como coloridas bolas de sabão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo temos completa consciência de que este, à semelhança de outros do mesmo autor, foi mais um discurso centrado no centro, ao gosto e ao sentir político socrático, e que dissimuladamente brotou de um homem também ele responsável pela situação de injustiça a que o nosso país, supostamente democrático, chegou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo sabemos por experiência própria, e pela sua praxis, que o Senhor Presidente Cavaco Silva não é e jamais será um verdadeiro “camarada”: um daqueles camaradas que falará e se empenhará pelo país dos desamparados, dos excluídos, dos desequilíbrios sociais e da clivagem entre interior e litoral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos a certeza que Cavaco Silva não é isso e não o poderá ser porque lhe falta aquele genuíno “brilhozinho nos olhos” de que nos fala o poeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, no fim-de-semana a anteceder o 1º de Maio, José Sócrates visita o Nordeste. José Sócrates tem pouco mais de um ano de governação. Fez bem em visitar o Nordeste e em reiterar o pacote de medidas positivas que durante os ciclos de conferências enquadradas no fórum “Novas Fronteiras” esboçou para esta região. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;Contudo, refira-se, o Nordeste e os interesses do Nordeste não podem ser desenhados no estirador do Terreiro do Paço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não chega anunciar acessibilidades, principalmente hoje, quando sabemos que o melhor acesso tanto atrai como repudia. O importante é fixar as pessoas numa terra de relógios parados, e essa fixação só se consegue, ou conseguirá, com projectos mais consistentes, ou por outras palavras menos metafóricas: essa fixação só se consegue, ou conseguirá, quando o Senhor Primeiro-ministro conceber de igual para igual, e sem contabilidades eleitoralistas, o desenho inteiro do nordeste no seu estirador de decisões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez assim, e no futuro, os Nordestinos o possam reconhecer! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:78%;color:#c0c0c0;"&gt;Luis Pereira&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8298410-114626166557750533?l=nneditorial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nneditorial.blogspot.com/feeds/114626166557750533/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8298410&amp;postID=114626166557750533' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/114626166557750533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/114626166557750533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nneditorial.blogspot.com/2006/04/propsito-de-abril-de-falsos-discursos.html' title='A propósito de Abril, de falsos discursos, de 32 anos de promessas mal cumpridas, do 1º de Maio e de uma amálgama inteira de sentires'/><author><name>Notícias do Nordeste</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10884603007081570217</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8298410.post-114348677698644274</id><published>2006-03-27T20:10:00.000+01:00</published><updated>2006-03-28T12:20:56.170+01:00</updated><title type='text'>A Regionalização Socrática</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;Nas Jornadas Parlamentares do PS, realizadas no passado Sábado em Viseu, no seu discurso de encerramento José Sócrates veio anunciar que o Governo quer avançar com a regionalização, defendendo para já a montagem de cinco regiões plano onde se sustentará uma nova prática organizacional dos serviços do Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sócrates defendeu esta nova estruturação territorial do estado e disse não compreender a surpresa manifestada por muitos, uma vez que, refere Sócrates, “essa orientação está escrita num livrinho: chama-se Programa do Governo do PS. Lá está escrito que devemos aproveitar as cinco regiões-plano como espaços territoriais para toda a desconcentração dos serviços públicos do Estado”, tendo lembrado, de forma quase cómica, digo agora eu, que este modelo é hoje uma ideia muito consensual em Portugal, “não apenas no PS, mas noutros partidos" assim como na "comunidade técnica e científica que há muito estuda o planeamento e o desenvolvimento regional".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A parte cómica, senão dramática, ou mesmo as duas coisas, do discurso que emana do “racionalismo político socrático”, reside, precisamente, na pretensão deste político em sustentar a sua argumentação na comunidade técnica e científica “que há muito estuda o planeamento e desenvolvimento regional”, mas que, como todos os transmontanos muito bem sabem, ainda não conseguiu planear nada e desenvolver coisa nenhuma, pelo menos nas regiões mais deprimidas do país; as mesmas a quem interessa uma verdadeira regionalização e que só sairiam beneficiadas, de facto, com um efectivo projecto de desenvolvimento regional e local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se há estudos técnicos e científicos que garantem que este modelo de cinco regiões é orgânico e susceptível de potenciar os serviços de estado a nível regional, então porque não se dão a conhecer à comunidade? Porque se encerram esses estudos numa redoma de gabinetes onde se movem esses “planeadores de desenvolvimento” que até ao momento ainda não conseguiram implementar desenvolvimento nenhum?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De facto, este “plano pré-regionalização” de Sócrates nada mais é do que uma reciclagem do projecto cavaquista que o actual Presidente da República, durante um dos seus mandatos enquanto Primeiro-Ministro, implementou. Cavaco Silva foi capaz de já no seu tempo dar execução a estas “cinco regiões plano” a partir das Cinco Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional. E quais foram os resultados?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora José Sócrates vem propor esse mesmo modelo com vista a avaliar as virtudes da desconcentração administrativa, e só depois, afirma o governante, pensa conseguir as “condições políticas para um futuro referendo à regionalização".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas de que referendo está a falar o senhor Primeiro – Ministro? De um referendo para a validação da criação de uma regionalização assente em apenas cinco regiões, ou de um referendo para uma regionalização que contemple também, por exemplo, a região administrativa de Trás-os-Montes e Alto Douro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, o que o “anti-regionalista” e actual Primeiro-Ministro de Portugal parece estar a preparar, nada mais é do que uma regionalização “a seu jeito”. Ou seja, infere-se ou poder-se-á inferir – o futuro o confirmará -, que o que o senhor secretário geral do PS pretende criar, nada mais é do que um modelo de regionalização assente em cinco áreas territoriais plano, similar ao projecto que durante a campanha e o debate que surgiu com o último referendo muitos socialistas, sociais-democratas, e mesmo “bloquistas”, defenderam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse projecto de “regionalização” parece efectivamente ser o modelo que mais interessa a alguns políticos centralistas que têm convivido muito bem com a disparatada macrocefalia que transborda das duas principais cidades do litoral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma regionalização que parta da experiência de uma desconcentração administrativa baseada em cinco regiões plano e onde Lisboa, Porto, Coimbra, Évora e Faro surjam como as capitais dos novos território administrativos, não interessa à região de Trás-os-Montes e Alto Douro, porque a experiência de planificação e desenvolvimento regional protagonizada pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte, desde a década de 90 do Séc. XX, não o aconselha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma grande Região Norte com uma concentração de serviços no Porto, apenas servirá para manter o processo acelerado de esvaziamento local, promulgando-se, desse modo, a incapacidade de inverter a tendência depressiva e de desertificação que a região transmontana atravessa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O futuro dos transmontanos terá que sair das mãos dos transmontanos; da sua capacidade de gerar riqueza, da sua capacidade de gerir essa riqueza, da sua capacidade de saber planear o seu desenvolvimento e de transformar e reconstruir a sua terra. Ora, isso só será possível com a instituição democrática da Região Administrativa de Trás-os-Montes e Alto Douro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Projecto do Governo PS que agora pretende reorganizar em moldes descentralizadores o aparelho administrativo do Estado em cinco “Regiões-Plano”, poderá, no futuro, corresponder a um efectivo concretizar das regiões administrativas, como no passado fim-de-semana garantiu José Sócrates. Contudo, existe um risco para Trás-os-Montes que é indispensável equacionar. E esse risco reside no facto de um próximo referendo à regionalização apenas poder vir a dar exequibilidade política a cinco regiões administrativas em concreto, as mesmas que hoje se chamam “Regiões–Plano” e que actualmente o PS propõe como “modelo coerente para a administração desconcentrada do estado”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se tal vier a acontecer, e se a região transmontana ficar inclusa numa grande região Norte, assinar-se-á o decreto que dará óbito definitivo a esta terra, que por variadas vezes já demonstrou não querer… e não saber morrer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:78%;color:#999999;"&gt;Luis Pereira [27-03-2006]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:78%;color:#999999;"&gt;Nota: este texto foi escrito como um mote para o debate do processo de regionalização que o actual governo colocou em curso e que em muito se deverá repercutir no futuro da região transmontana. Todas as contribuições, opiniões e ideias são bem-vindas a este debate. O NN publicará todos os textos dos nossos leitores que nos chegarem sobre este assunto. Para já reabre-se a secção de comentários para que todos aqueles que pretenderem, possam dar as suas achegas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8298410-114348677698644274?l=nneditorial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nneditorial.blogspot.com/feeds/114348677698644274/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8298410&amp;postID=114348677698644274' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/114348677698644274'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/114348677698644274'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nneditorial.blogspot.com/2006/03/regionalizao-socrtica.html' title='A Regionalização Socrática'/><author><name>Notícias do Nordeste</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10884603007081570217</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8298410.post-114130927290163649</id><published>2006-03-02T14:19:00.000Z</published><updated>2006-03-02T17:20:59.826Z</updated><title type='text'>Um país "às direitas"</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;Assumi uma esperança quando aqui escrevi que José Sócrates poderia ser uma esperança.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sei que não o disse peremptoriamente assim, como agora o estou a dizer, mas, confesso, houve uma altura em que acreditei em Sócrates. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Depois do malogrado governo de Santana Lopes, que empurrava o país para um fatídico desfiladeiro, Sócrates surgiu como a solução com uma certa credibilidade; surgiu como um turvado sebastianismo, a quem a trágica compleição da alma portuguesa se agarrou como naufrago. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Passado que está algum tempo, Sócrates revelou-se um embuste; o PS revelou-se, desgraçadamente, um partido de direita e a esperança esvaiu-se para talvez nunca mais retornar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sou um homem de esquerda. Assumo-me positivamente de esquerda, tenho orgulho na história da esquerda e quero morrer à esquerda. Os meus valores são valores de partilha, são valores de solidariedade, de justiça, de liberdade, de fraternidade, de igualdade, de democracia e coroou-me, sempre que posso, com uma certa utopia, a fausta dose que me alimenta a fé no homem e na mulher. Acredito neste país derruído e triste, neste país que a “democracia” calca rude e severamente e onde agora chegou Sócrates com pozinhos de falso mágico. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas esgotei a paciência para com os caprichos dos "venais" , como quando cantava Zeca em denúncia dos "eunucos" de um pardo ou cinzento país. Esse país de Zeca é cada vez mais o país de hoje, o país onde habito e trabalho, o país onde crescem minhas filhas. Nada mudou, ou muito pouco mudou, e lamento, sinceramente lamento, que os versos de Zeca Afonso continuem tão actuais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Portugal é isto: um país eternamente metafórico e subsidiário de um estúpido destino a que chamam fado, onde se anunciam choques tecnológicos e onde, comparadamente com os restantes parceiros europeus, se paga mais inflacionariamente uma simples ligação à Internet; Portugal é esta soberba de desencanto onde a riqueza assume uma disparidade de atroz redistribuição; Portugal é o recordista do que não deve ser; o país secular em nada fazer, ou do pouco que se faz.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De entre este entulho de história e das não menos interessantes estórias, emerge um mago de dedo em riste, com discurso decorado de frases feitas a anunciar coisas de nada ou de pouquíssima monta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Portugal não precisa de falsas reformas, ou de manifestações da vontade de as fazer. Portugal precisa de ser reformado, revisto, travestido, diluído e recuperado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Portugal precisa de um verdadeiro partido de esquerda, de um partido que acredite nos conceitos da revolução pacífica e social e se desligue da subjugação aos interesses de um capitalismo cada vez mais ultra-liberal, se deligue dos  interesses de castas; Portugal precisa de liquidar reformadamente os privilegiados de feição terceiro-mundista. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O embuste de Sócrates reside num apego economicista que o radica numa ala de ideologia à direita, onde a falsa matemática o empurra para uma tentação anti-humanista e contrária aos valores da esquerda.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sócrates não é um homem de esquerda, o PS deixou de o ser, e o país mergulhou definitivamente num sistema político de unilateralidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No início do séc. XXI existe uma verdade incontestável: a direita voltou a imperar em Portugal…e eu quase tenho medo de publicar este texto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Luis Pereira [02-03-2006]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8298410-114130927290163649?l=nneditorial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nneditorial.blogspot.com/feeds/114130927290163649/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8298410&amp;postID=114130927290163649' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/114130927290163649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/114130927290163649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nneditorial.blogspot.com/2006/03/um-pas-s-direitas.html' title='Um país &quot;às direitas&quot;'/><author><name>Notícias do Nordeste</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10884603007081570217</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8298410.post-113141266252458115</id><published>2005-11-08T01:13:00.000Z</published><updated>2005-11-08T10:10:59.133Z</updated><title type='text'>As chamas da estupidez</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Nua e crua a realidade deste início de século revela-se nos mais recentes acontecimentos que esfaqueiam o centro onde os filósofos e pensadores oitocentistas expeliram os princípios da liberdade, da igualdade e da fraternidade.&lt;br /&gt;A pátria da social-democracia está a ferro e fogo. Decompõe-se em doses lastimáveis de explicações, como se fosse natural um Ser não ser igual a outro Ser.&lt;br /&gt;O que está a incendiar a França não são os “Putos” de semblante tisnado que nasceram na terra onde as mães fugitivas da miséria os foi parir. O que está a incendiar a França é um modelo inconsciente, hipócrita e irresponsável a nível da integração e do respeito pelos mais elementares princípios humanitários.&lt;br /&gt;Creio que o ser social burguês é um bicho medonho, cujo horripilante e intrínseco miserabilismo é exposto a cada passo e em variados trechos da sua história.&lt;br /&gt;O que está a acontecer na França é um exemplo disso mesmo.&lt;br /&gt;A hipocrisia dos oportunistas que se proclamam democratas recebeu anos a fio uma mão-de-obra barata para satisfazer e pôr em marcha uma economia que sem emigrantes estaria indiscutivelmente condenada ao fracasso.&lt;br /&gt;A recomposição do xadrez produtivo depois da Segunda Guerra Mundial na França e na Alemanha, só para citar dois dos maiores países de acolhimento de emigrantes portugueses, seria impensável sem o contributo dos trabalhadores estrangeiros.&lt;br /&gt;Sei de tristes exemplos xenófobos encarnados em compatriotas nossos e transmontanos que durante os anos sessenta, setenta e oitenta do século vinte sentiram na pele o “racismo” indisfarçável dos franceses. Depois as coisas melhoram, embora a integração nunca tivesse sido verdadeiramente efectivada.&lt;br /&gt;O exemplo da França é bastante pedagógico, uma vez que constitui o padrão explodido para muitos outros casos que estão para explodir.&lt;br /&gt;A questão das emigrações e migrações é uma questão tão antiga quanto a história do ser humano. Se não fosse esse movimento demográfico, a história da humanidade estaria confinada a África, o que não deixará de ser uma constatação científica bastante confrangedora para quem pensa que a Europa ou a sua terrinha constituem o epicentro do processo evolucionista.&lt;br /&gt;Os mais recentes acontecimentos no país do Asterix não deixa de ser modelar para outros racismos e para outras misérias políticas e intelectuais.&lt;br /&gt;Basta pensar em Trás-os-Montes e nas abundantes e lamentáveis opções que estão subjacentes à constituição das listas nas eleições autárquicas.&lt;br /&gt;É isto a Social-democracia! Será que não merecemos um melhor modelo?!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:78%;color:#999999;"&gt;Luis Pereira [08-11-2005]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8298410-113141266252458115?l=nneditorial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nneditorial.blogspot.com/feeds/113141266252458115/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8298410&amp;postID=113141266252458115' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/113141266252458115'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/113141266252458115'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nneditorial.blogspot.com/2005/11/as-chamas-da-estupidez.html' title='As chamas da estupidez'/><author><name>Notícias do Nordeste</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10884603007081570217</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8298410.post-112810496225169481</id><published>2005-09-30T19:27:00.000+01:00</published><updated>2005-10-01T14:08:03.406+01:00</updated><title type='text'>A Educação é um capricho?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Todos sabemos, ou pelo menos em alguma altura da nossa vida já desabafamos a ideia de que os políticos não merecem a confiança que o povo lhes deposita pelo voto. De facto, essa desconfiança permanente para com algumas "castas" da "fauna" que pulula de oportunismo e de incompetência o viveiro político português, tem alguma razão de ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabemos que muitos desses seres se encapotam numa arrogância desmedida cujo único objectivo é expor o rudimentar inchaço de ego, e quando lhes cai entre mãos a possibilidade de decidir sobre assuntos que estruturam as bases da sociedade, fazem, como lhe chama o nosso povo, autêntica “&lt;em&gt;borrada&lt;/em&gt;”, que é o mesmo que dizer que fazem asneirola numa revelação nua e crua daquilo que é a responsabilidade e o respeito por quem os elegeu. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Noutras situações, não menos frequentes, esses ilustres senhores desfazem e apagam com arrogante petulância a obra do político adversário que o antecedeu, coisa aliás bastante frequente de observar neste país dualizado numa alarmante tenuidade de ideias que ano após ano se impõe como uma espécie de praga de gafanhotos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E o pior de tudo é que não existe responsabilidade que possa ser reclamada. Decida o senhor Presidente de Câmara, Ministro, Ministério, Secretaria ou afins o que decidirem, por mais obtusas e maléficas que sejam os contornos dessas decisões, o que se impõe e prevalece é a vontade dessas excelências "com pasta". E mesmo mais tarde, quando o fluir do tempo testemunhar os danos causados por tais actos decisórios, essas mesmas excelências esconder-se-ão por detrás da imunidade que está inerente ao exercício do poder político em Portugal. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A recente decisão do actual Ministério da Educação (ME) socialista em reprovar o modelo de ensino para o primeiro ciclo adoptado há poucos anos em Alfândega da Fé, ilustra de forma hilariante esta lamentável falta de rumo que o país atravessa e que parece ter-se instituído como grotesco fado.Na verdade, é difícil de compreender porque é que os serviços técnicos do Ministério da Educação do tempo de Durão Barroso consideraram como um exemplo nacional e de excepção o modelo adoptado em Alfândega da Fé, que integra desde o primeiro ano do básico disciplinas e actividades como o inglês, informática, música e educação física; e agora, passados três anos o Ministério da Educação do Governo de José Sócrates, vem a terreiro defender que este modelo pedagógico é inadequado ao ponto de reprovar em absoluto todo o conteúdo desse projecto educativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este bipolar entendimento do que deve ser a Educação dos nossos filhos é no mínimo preocupante, porque na realidade há questões que não podem ser vistas ou analisadas em função de caprichos políticos, uma vez que é a formação da cidadania e do futuro que está em causa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como me poderão explicar a mim e a todos os comuns cidadãos eleitores deste país os motivos pelos quais o Governo Social Democrata de Durão Barroso considerou o modelo de Alfândega como de educação excepcional, e passados três escassos anos o Governo de José Sócrates o considera como inadequado ao ponto de o refutar e de com isso causar incompreensíveis transtornos no arranque do ano lectivo de 2005/2006?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A recente decisão do actual Ministro da Educação em chumbar o projecto educacional que desde alguns anos estava em curso nesta pacata vila nordestina merece uma explicação pública ministerial bem fundamentada tecnicamente, quanto mais não seja para garantir aos pais dos alunos de Alfândega que as suas crianças não são &lt;em&gt;cobaias&lt;/em&gt; de projectos educacionais que se alteram ou impõem ao ritmo dos caprichos políticos de quem em determinada altura está no poder. Porque, como é fácil de depreender, a educação é um pilar de sustentabilidade social que não se compadece com o grau de banalidade que alguns emprestam ao exercício dos poderes públicos instituídos pela via democrática.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:78%;color:#999999;"&gt;L.P [30-09-2005]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8298410-112810496225169481?l=nneditorial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nneditorial.blogspot.com/feeds/112810496225169481/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8298410&amp;postID=112810496225169481' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/112810496225169481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/112810496225169481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nneditorial.blogspot.com/2005/09/educao-um-capricho.html' title='A Educação é um capricho?'/><author><name>Notícias do Nordeste</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10884603007081570217</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8298410.post-112242615135997808</id><published>2005-07-27T01:57:00.000+01:00</published><updated>2005-07-27T10:43:28.216+01:00</updated><title type='text'>Ligações perigosas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Tenho ultimamente ficado a pensar nesta expressão que mais não é do que o simples título de um filme de Stephen Frears onde John Malkovich e Glenn Close se divertem num jogo de sedução que envolve uma mulher ingénua e fiel ao marido. Talvez porque as férias se aproximam e porque nestes parcos dias consiga algum tempo para rever ou ver alguns dos filmes de antologia, frequentemente me invade este título por mim rotulado como um dos filmes da minha vida.&lt;br /&gt;O filme é bom, diria mesmo brilhante a nível da direcção e da interpretação, com um enredo tão “sufocante” tanto quanto real, o que em si mesmo constitui a génese de um apego aos primeiros planos de um guião sem tréguas e que inevitavelmente arrasta o telespectador para um desafio cujo principal objecto consiste na decifração das causas e dos porquês da ignobilidade e da insídia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;O filme remete-nos para um ambiente de sociabilidade pérfida, o que certamente servirá de alerta para muitas pessoas que costumam confiar em qualquer um.&lt;br /&gt;A fita está bem conseguida porque derrama de forma genial a psicologia do ser humano desnudadamente realista. O interior cómico e dramático dos sentimentos. A risível distância entre o que se aparenta ser e aquilo efectivamente se é.&lt;br /&gt;Não é minha intenção fazer aqui uma abordagem crítica ao filme de Frears, primeiro porque não sou cinéfilo, e segundo porque o filme está já depositado no baú das obras-primas criadas pela humanidade.&lt;br /&gt;Chamo aqui o filme de Stephen Frears porque a expressão “ligações perigosas” se foi generalizando de forma massificadora, acabando por invadir o léxico da política e das mais diversas profissões.&lt;br /&gt;A expressão, vista a frio, significa aleivosia. Significa o embuste da máscara que parece ser o que na realidade não é. Significa jogos de bastidores para a obtenção de uma qualquer façanha. Significa o enredo mais fácil para encontrar o caminho do que se pretende sem convicção. E neste jogo de intrigas, a dramaticidade de algumas cenas acumula-se até atingir um clímax que muitas vezes reduz o ser humano à ancestralidade do seu verdadeiro "complexo reptiliano", como naturalmente lhe chamaria Carl Sagan.&lt;br /&gt;Há muitos que conseguem contornar o “escolho” da verdade; há outros que obtém resultados tão desastrosos que até fariam corar de espanto a Marquesa de Merteuil.&lt;br /&gt;Este meu "surrealismo" de hoje não parte de uma qualquer sesta mal dormida, surge apenas como uma cívica apreensão. E isto porque o mês de Agosto está de entrada e depois surge Setembro e com ele, espera-se, o início de um Outono que se pretende calmo.&lt;br /&gt;Para mim, que gosto do verão e de tudo o que é límpido e luzidio, o meu desalento reside em Outubro, porque esse é o pardo mês que anuncia o Inverno e quase sempre com ele chega o fustigo das primeiras rabanadas de um vento que varre do chão algumas folhas caídas por um precoce amarelecer.&lt;br /&gt;Umas boas férias para todos os nordestinos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:78%;color:#999999;"&gt;Luis Pereira [27-07-2005]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8298410-112242615135997808?l=nneditorial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nneditorial.blogspot.com/feeds/112242615135997808/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8298410&amp;postID=112242615135997808' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/112242615135997808'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/112242615135997808'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nneditorial.blogspot.com/2005/07/ligaes-perigosas.html' title='Ligações perigosas'/><author><name>Notícias do Nordeste</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10884603007081570217</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8298410.post-112046503709954237</id><published>2005-07-04T09:16:00.000+01:00</published><updated>2005-07-04T09:17:17.106+01:00</updated><title type='text'>O centésimo dia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Penso que se não tivesse uma esperança de transformação, a minha existência seria impossível, tendo em consideração a agitação com que os deuses enfermaram esta minha personalidade.&lt;br /&gt;Recuso-me a acreditar na hecatombe de um país com mais de oito séculos de história, mas a cada dia que passa constrói-se no meu ser uma espécie de revolução interior que me faz pensar que a Batalha de São Mamede foi um triste acidente na história da Península Ibérica e que o D. Afonso Henriques é o único responsável pela situação a que chegou Portugal. Será isto o princípio da minha adesão aos conceitos do Iberismo?&lt;br /&gt;Se não fosse o “coxo” (na verdade há quem afirme que Afonso Henriques era coxo), não se tinha instituído este enclave entre a terra e o mar a que chamaram Portugal.&lt;br /&gt;A geografia das pilhagens e das conquistas medievais desse tempo são as únicas acções responsáveis pela construção e consolidação sucessiva de um rectângulo cujos limites se desenharam à custa de muitas chacinas e de muitos mouros degolados.&lt;br /&gt;Tudo isto, no panorama da história, se foi erigindo de feição real e alegórica, e século após século se foi sobrepondo num cenário de fantásticas batalhas que fecundaram um místico reino caracterizado por uma beata moral geradora do encanto e da beleza da nossa ilustríssima lenda.&lt;br /&gt;Uma lenda encantada que monta os mares em cima de Barca, de Barinel, de Nau ou de Caravela.&lt;br /&gt;Portugal é isso: uma eterna fantasia!&lt;br /&gt;Uma lenda absurda e passadista onde se movem os reis com um só olho, as bruxas de vassoura em riste, corujas de pio agoirento, duendes malabaristas e gnomos pinóquianos. Também existem os eunucos, aqueles eunucos pérfidos e venais que o Zeca tão bem retratou num jorro de poesia.&lt;br /&gt;Os outros são figurantes, milhões de figurantes, com o comportamento de personagens de banda desenhada, que de quatro em quatro anos se animam num automatismo imagético, ao preencherem o universo das sondagens em opiniões sinceras, e ao colocarem a cruzinha no boletim de voto com um certo brilhozinho nos olhos.&lt;br /&gt;A esses, sempre dispostos a acreditar, eu chamo cidadãos e eleitores.&lt;br /&gt;“Portugal é uma treta!”.&lt;br /&gt;Ouvi isto dizer a um jovem calmamente sentado numa mesa de café, mas com uma convicção tão perturbante que acabou por me impressionar. E confesso que no sopro de emotividade com que a expressão foi sacudida, me decidi a concordar momentaneamente com ele. Por isso escrevo este texto.&lt;br /&gt;Efectivamente Portugal é isto que nós temos, e não é preciso mais qualificações!&lt;br /&gt;A actual realidade de Portugal é um mau adjectivo por inerência com a sua história.&lt;br /&gt;Uma metáfora arcaica e sem evolução. Um país de treta, com responsáveis de treta e com governantes de treta.&lt;br /&gt;Este foi e parece continuar a ser o reino da demagogia, do salve-se quem puder, das clientelas sem escrúpulos, do desmazelo social, das elites bota-de-elástico; o país da cunha, do tráfico de influências, dos tachos, dos tachinho e dos tachões; da fuga aos impostos, da justiça lenta, da má educação, da falta de civismo e dos dez estádios de futebol.&lt;br /&gt;É um país onde impera a corrupção, a mentira, a fobia do défice, a ignorância, a preguiça, o parasitismo, a mediocridade, o facilitismo e agora o Partido Socialista. É um pais à deriva e com muita pouca esperança.&lt;br /&gt;Portugal é um barco sem rumo, mas apesar da tripulação ter substituído o seu timoneiro há cerca de 100 dias, o quadrante marcado pelo astrolábio do Terreiro do Paço não parece afastar-se do dúbio turbilhão das “estrelas” que no passado nunca nos apontou o futuro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;color:#666666;"&gt;Luis Pereira [04-07-2005]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8298410-112046503709954237?l=nneditorial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nneditorial.blogspot.com/feeds/112046503709954237/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8298410&amp;postID=112046503709954237' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/112046503709954237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/112046503709954237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nneditorial.blogspot.com/2005/07/o-centsimo-dia.html' title='O centésimo dia'/><author><name>Notícias do Nordeste</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10884603007081570217</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8298410.post-111922746583743150</id><published>2005-06-20T01:28:00.000+01:00</published><updated>2005-06-20T09:53:22.726+01:00</updated><title type='text'>Membro do Governo com défice democrático?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;A história vem toda contada no Jornal de Notícias: “Ascenso Simões, secretário de Estado da Administração Interna, exigiu, esta semana, que fosse retirada uma edição completa do &lt;em&gt;Jornal de Notícias de Vila Real&lt;/em&gt;, ao qual terá concedido uma entrevista de três páginas, pouco tempo depois de a edição estar à venda nas bancas.”&lt;br /&gt;O rocambolesco acontecimento é real e passa-se numa pobre região de um país com mais de 30 anos de democracia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao que parece, o ilustre representante do povo português, eleito pelo sistema democrático de um estado de direito, não gostou que a entrevista fosse publicada sem que a mesma fosse previamente sujeita ao sentido estético da sua leitura, e por esse motivo mandou retirar das bancas 2750 exemplares do Semanário Regional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, o secretário de Estado da Administração Interna, vem a público informar os leitores dos jornais de Portugal que fez "um pré-acordo com o director do jornal (…) mas que ele não respeitou”.&lt;br /&gt;O acordo, ao que parece, consistia em ler o trabalho antes de ser publicado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O lápis azul de Ascenso Simões sublinhou o texto que se referia aos " dados curriculares, sendo retiradas referências ao facto de o político ter começado de baixo e subido na política a pulso, de ter sido funcionário do PS e de ter trabalhado na Câmara de Santa Marta de Penaguião. A nova versão menciona, apenas, os cargos de governante, deputado e vereador da oposição em Vila Real". &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Ora em todo este imbróglio, a atitude do director do &lt;em&gt;Jornal de Notícias de Vila Real&lt;/em&gt; também não está isenta de responsabilidades, uma vez que cedeu aos caprichos do senhor político, já que com o mesmo negociou primeiro a prévia leitura da peça escrita, e depois, por ordem do governante, aceitou retirar da circulação os jornais já distribuídos. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Este caso surge-nos dentro da nossa região a ilustrar de algum modo a precariedade da liberdade de alguma imprensa regional, configurando-se como um caso real de sujeição e submissão&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt; para com o poder ou para com certos poderes instalados.&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um caso lamentável, tristemente infeliz, que em nada dignifica a região de Trás-os-Montes, o jornalismo, a política, a democracia portuguesa e este membro do actual governo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um caso por onde José Sócrates não deve passar a assobiar para o lado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:78%;color:#666666;"&gt;Luis Pereira [20-06-2005]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8298410-111922746583743150?l=nneditorial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nneditorial.blogspot.com/feeds/111922746583743150/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8298410&amp;postID=111922746583743150' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/111922746583743150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/111922746583743150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nneditorial.blogspot.com/2005/06/membro-do-governo-com-dfice-democrtico.html' title='Membro do Governo com défice democrático?'/><author><name>Notícias do Nordeste</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10884603007081570217</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8298410.post-111376220697223169</id><published>2005-04-17T19:06:00.000+01:00</published><updated>2005-04-18T10:05:11.836+01:00</updated><title type='text'>O estado da Terra</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Trás-os-Montes é inegavelmente uma das regiões mais atrasadas da comunidade social, económica e cultural da União Europeia. As razões de tal atraso poder-se-ão encontrar em causas de variada índole, embora os seus responsáveis sejam tão antigos como a ancianidade que Portugal possui.&lt;br /&gt;Poderá haver muitas teses explicativas, mas existe uma única realidade. E essa realidade assenta na História, e principalmente na História dos últimos trinta anos, que nos fez permanecer, enquanto região, numa lenta e destrutiva morbidez temporal.&lt;br /&gt;A razão do atraso da região transmontana, inegável e preocupante, poderá ser procurada em diferentes factores causais, onde os níveis baixíssimos da boa e qualificada formação académica constituem, desde sempre, o maior e mais saliente motivo.&lt;br /&gt;É inegável que a estrutura económica, demasiado arcaica e dependente de um rudimentar sector primário que assenta numa nomenclatura produtiva de feição sociológica ainda ancorada em padrões oitocentistas, funciona como uma espécie de estigma, e é o principal factor de entrave à evolução supra-estrutural. E nesse sentido, poder-se-á dizer que a mentalidade constitui o principal óbice no rasgar de um caminho mais aberto, mais inovador, e menos dependente de conceitos e preceitos talhados e retalhados por obtusos “horizontes mentais” onde muitas vezes não cabe a democracia, a modernidade, a partilha e a competição do cada vez mais evoluído mundo contemporâneo.&lt;br /&gt;É evidente que este fechar de concha de uma região inteira não é um deficit desenvolvimentista que se possa imputar aos transmontanos, mas antes aos decisores políticos nacionais e mesmo regionais de todas a épocas, porque foram esses que nunca souberam ou não quiseram fazer deslocar toda esta região do seu atávico atraso económico e social em que actualmente se encontra. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Mais contemporaneamente, têm-se atribuído ao factor interioridade a causa charneira deste atraso estrutural. É evidente que algumas relações de causa e efeito devem existir entre o distanciamento dos centros de decisão e as carências reais desta terra. No entanto, a diminuição percentual dos valores do PIDDAC e do desinteresse geral do Estado por Trás-os-Montes não se devem só ao factor distância, ou a esta clausura voluntária em “para cá do Marão”. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Deve-se sobretudo à crescente diminuição dos efectivos humanos, à crise, à preocupante crise demográfica que desde os anos 60 do passado século se instalou como um cancro exterminador. Ora, a lógica dos decisores políticos que pisam os veludos das alcatifas ministeriais do Terreiro do Paço, é fácil de perceber: se não há pessoas, não há votos, e se não há votos, não é preciso investimento! E as consequências desta irresponsável atitude adensam-se como uma bola de neve que não pára de crescer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Banido o direito ao trabalho, por falta de investimento e de modernização económica, os jovens transmontanos desde muito cedo procuram alternativas viáveis para um padrão de vida cada mais globalizado, e também desde muito cedo a sua principal preocupação é abandonar o torrão de terra que os viu nascer. Vão estudar para fora, para os grandes centros urbanos, e por lá ficam a engrossar o volume de massa critica. As repercussões são claras e as consequências a médio e longo prazo estão à vista: Trás-os-Montes é, efectivamente, uma das regiões mais atrasadas do conjunto de países que integram a Europa Comunitária. Os índices de criatividade económica e social na região continuam a descer dramaticamente, e o pior é que o poder local não tem sabido encontrar soluções capazes de provocarem a viragem desta conjuntura de já longa duração. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Mais preocupados com o preenchimento de quadros públicos com amigos e apoiantes que lhes garantam a reeleição do que com a “coisa pública”, grande parte dos autarcas transmontanos esquece-se da realidade da sua terra, despoja-se da entrega altruísta a uma causa colectiva, e preocupa-se quase exclusivamente com o granjeio de uma carreira que o leve o mais longe possível na sua caminhada política. Uma vez na Assembleia, num Ministério ou numa Secretaria de Estado ouve, cala e anui, numa lamentável submissão à disciplina partidária.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Qualquer cidadão sabe que o processo de desenvolvimento económico do mundo ocidental passou já por uma série de etapas e revoluções, estando a última, a das tecnologias de ponta, da cibernética e das ciências de computação actualmente em curso.&lt;br /&gt;Também qualquer português sabe que Trás-os-Montes nem sequer passou pela indispensável revolução agrícola, factor determinante para a passagem ao ciclo de investimento industrial. Não passou, e os resultados estão à vista: baixo nível de infra-estruturas rodoviárias, débil desenvolvimento urbano, fraca escolaridade, pouca abertura social, etc. e etc. É forçoso aqui fazer uma ressalva e chamar a atenção para a realidade global do país, realidade essa que inevitavelmente determina o processo de desenvolvimento local, mas esse é outro assunto que agora não se pretende abordar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Confrontando-nos com a actual realidade regional, que percebemos? Em primeiro lugar que Trás-os-Montes é estruturalmente atrasado porque a globalidade do pais também o é; e em segundo lugar, porque esse atraso se deve fundamente ao facto de nesta região nunca se ter processado uma verdadeira revolução agrícola, industrial e de mentalidades, de forma a gerar ambivalências sociais e um processo produtivo susceptível de fazer permanecer as pessoas dentro de um quadro social similar aos índices de conforto padrão do mundo moderno.&lt;br /&gt;A história democrática nossa contemporânea resume-se a pouco mais de trinta anos, tempo suficiente, apesar de tudo, para se ter posto “mãos à obra”.&lt;br /&gt;Contudo, nestas três décadas de regime democrático a condição estrutural da região em nada mudou, e a prová-lo estão os censos e as séries estatísticas que frequentemente são divulgadas para tormento do nosso optimismo. Mas porque estamos assim atrasados, sem gente, sem massa critica, sem jovens empresários, sem infra-estruturas, sem centros urbanos dinamizadores de investimento, sem uma cobertura aceitável de centros hospitalares e sem escolas devidamente equipadas e servidoras de um ensino de qualidade, vamos deixar extinguir o “Reino Maravilhoso”? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Apesar de a região se apresentar sem comércio, sem agricultura e sem indústria, Trás-os-Montes pode arrepiar caminho em direcção a um desenvolvimento realista e sustentado! Pode-se desenvolver de forma equilibrada, sem impactos negativos e de feição moderna e racional .&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Segundo alguns dados da Nações Unidas, o turismo será a actividade mais importante do mundo no séc. XXI, sendo já responsável por uma cifra superior aos 10% de todos os postos de trabalho actualmente existentes. O turismo, direccionado para uma sociedade do lazer que cada vez mais emerge nos países mais ricos, é uma das revoluções económicas que actualmente está em curso mas, como sempre, Trás-os-Montes parece assistir impávida e serenamente à passagem do comboio! Senão vejamos: que medidas autárquicas têm sido tomadas para a implementação de uma política direccionada ao desenvolvimento integrado do turismo regional? Nenhumas! Alguns dos autarcas não sabem como o devem fazer, e outros, o que é mais grave, nunca sequer pensaram no assunto.&lt;br /&gt;Ora o desenvolvimento da actividade turística tem que ser apoiada num número diversificado de sinergias que vão desde os recursos ambientais, à cultura e ao património, para só falar nas sinergias em que somos verdadeiramente ricos. Por exemplo, que preocupações autárquicas têm sido reveladas relativamente aos recursos ambientais e patrimoniais, como por exemplo, a paisagem, o património arquitectónico e o património arqueológico? Refiro estes por serem os mais emblemáticos e ao mesmo tempo aqueles que reúnem mais potencialidades para gerarem a plataforma onde deve assentar a actividade turística da região.&lt;br /&gt;Quantos gabinetes técnicos foram formados nas autarquias para o apoio e o desenvolvimento de projectos de dinamização dos recursos patrimoniais, ambientais ou culturais? Que rastreio já foi feito por parte das autarquias relativamente às potencialidades ambientais e patrimoniais? Que inventários existem? Que estratégias? Que valorizações? Que investimentos? Que vontades políticas?&lt;br /&gt;Pegando no exemplo dos pelouros da cultura com que é que deparemos ? Verificamos que esses pelouros continuam a ser o parente pobre dos executivos em acção. Verificamos que os autarcas frequentemente os utilizam para promover a festa pimba e pacóvia, tão desinteressante e efémera como o estalido de um foguete; deparemos com um imobilismo tão confrangedor quanto real.&lt;br /&gt;A vulgar atitude machista de alguns dos nossos políticos ( conhecem alguma Presidente de Câmara em Trás-os-Montes?), muito frequentemente atribuem esse pelouro a mulheres com pouca experiência política, e isso naturalmente porque concebem a cultura como o “circo” necessário e complementar do pão que paternalmente a mão larga do chefe distribui aos seus correligionários e apoiantes.&lt;br /&gt;Os pelouros da cultura têm-se revelado, sem excepção, absolutamente obsoletos, inoperacionais, despesistas e vulgarmente festivos, quando deveriam ser os pelouros charneira de uma dinâmica transformista e geradora de um “produto” de interesse geral para os empresários que resolvam vir a investir no sector turístico na região transmontana. Porque o turismo não é apenas o investimento em unidades hoteleiras; o turismo é um pacote geral de valências cujo investimento inicial e de “manutenção” deve sair dos cofres públicos. Sem esse investimento não haverá por parte dos empresários qualquer atracção por Trás-os-Montes e a região manter-se-á no mesmo nível de subdesenvolvimento, com os seus últimos habitantes encostados às agruras da enxada, na margem direita do Douro, a ver passar os navios.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:78%;color:#666666;"&gt;Luis Pereira[17-04-2005]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8298410-111376220697223169?l=nneditorial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nneditorial.blogspot.com/feeds/111376220697223169/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8298410&amp;postID=111376220697223169' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/111376220697223169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/111376220697223169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nneditorial.blogspot.com/2005/04/o-estado-da-terra.html' title='O estado da Terra'/><author><name>Notícias do Nordeste</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10884603007081570217</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8298410.post-110941689700339964</id><published>2005-02-26T11:19:00.000Z</published><updated>2005-02-26T12:39:04.966Z</updated><title type='text'>Um povo que quer e sabe vencer</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Desde há algum tempo que andava apreensivo com a forma de agir de alguns políticos que consideram o povo como uma turba sem nome, anónima de tudo, até de inteligência. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Considerei várias vezes a justiça infinita com que esse mesmo povo, que afinal somos todos nós, actua, quando a situação o exige.&lt;br /&gt;O povo de que faço parte, essa grandiosa massa anónima, o meu povo português, teve e tem manifestações colectivas absolutamente inexequíveis em outros povos ou em outros países europeus.&lt;br /&gt;O meu povo sabe agir em uníssono, protestar, transformar, lutar, colectivizar-se em força e solidariedade, defender-se do mal e sofrer em conjunto.&lt;br /&gt;Quem não se lembra desse grandioso movimento de solidariedade para com Timor, quando a pata do ditador indonésio exterminava sem escrúpulo os nossos irmãos do pacífico? Quem não protestou e lutou contra essa maldade sem qualificação possível? Que não estendeu um lençol branco na sua varanda ou na sua janela? Todos. Todos os portugueses agiram num infinito protesto branco.&lt;br /&gt;E mais recentemente, quem não se vestiu com as cores nacionais ou não colocou em lugar destacado da sua casa a nossa bandeira em apoio da selecção portuguesa de futebol que disputou o último campeonato da Europa?&lt;br /&gt;Estes dois exemplos de mobilização colectiva do povo português servem apenas para ilustrar um dos fenómenos mais interessantes da nossa acção comum, onde os lideres não existem, não actuam e deixam de fazer sentido, e o povo parece comportar-se como uma entidade una e com objectivos bem definidos.&lt;br /&gt;As últimas eleições legislativas, testemunham, também, esta peculiaridade sentimental de estar na vida, onde emerge uma espécie de reflexão comum que depois se materializa de forma autónoma e simples, por intuição natural, fazendo convergir os habitantes de Portugal num sentido de justeza, facto que constitui uma admirável qualidade da nossa alma e do nosso ser.&lt;br /&gt;O povo português demonstra ter um apurado sentido de responsabilidade, e ao contrário do que muitos pensam, sabe ser vigilante.&lt;br /&gt;Ninguém tem dúvidas que o PSD de Santana Lopes foi o pior PSD da história da democracia portuguesa. Um partido amputado do sentido de responsabilidade, sem quadros, sem credibilidade, sem força anímica. O povo soube ver isso. Sentiu-o, apesar das falsas imagens e dos discursos construídos a partir das técnicas de marketing importadas dos EUA. E porque o viu e sentiu, atempadamente soube mobilizar-se e mais uma vez pôs cobro à situação.&lt;br /&gt;Com uma direita fortemente desgastada pelas acções dos seus principais líderes, os votos habitualmente depositados no PSD e no CDS/PP, transferiram-se em massa para uma esquerda que surge na actualidade e no nosso país cada vez mais moderna, com um sentido de futuro, aberta à tolerância e à inovação, com uma mentalidade mais socializante e com um maior respeito pelos princípios democráticos e pela vontade e liberdade do ser humano.&lt;br /&gt;O povo português trocou um modelo esgotado que se encaminhava para uma moral assente em deus, na pátria e na família, por um modelo de tolerância mais aberto, mentalmente mais evoluído e politicamente mais liberal.&lt;br /&gt;A grande lição que a direita portuguesa tem a tirar do Governo de Santana Lopes e Paulo Portas é a de que os portugueses não gostam de extremismos e hipocrisias, e que quando o logro e a mentira brotam descaradamente no exercício do poder em acções semi-ditatoriais, podemos contar com a força e a vontade popular para solucionar a dificuldade.&lt;br /&gt;Portugal estava-se a tornar num país governado por uma direita provinciana, fazendo lembrar tempos idos há algumas décadas. Ora, foi este arcaísmo ideológico, associado à incompetência e incapacidade de governar de Santana Lopes, que permitiu a histórica vitória do PS e da esquerda em geral nas eleições realizadas no passado dia 20 de Fevereiro.&lt;br /&gt;A vitória da esquerda constituiu mais um daqueles “movimentos de acção colectiva” que só no seio do povo português é possível presenciar. Por isso, que se cuide o PS e toda a esquerda portuguesa, porque quem dá, como aliás já se provou por várias vezes, também sabe e é capaz tirar!&lt;br /&gt;Na verdade, perante o descalabro que Portugal atravessava, os portugueses optaram por dar um cheque em branco a José Sócrates. Num exercício de desespero causado pela deterioração da estrutura económica e social do país, os eleitores mobilizaram-se em massa e optaram, nestas eleições, por uma outra via, gerando assim as condições de estabilidade que lhe foram pedidas. Deu-se estabilidade política aos políticos para governarem, a partir de agora exige-se estabilidade económica e social para que o povo possa ser feliz.&lt;br /&gt;Não sabemos como José Sócrates desempenhará o seu papel de Primeiro-Ministro, quais as medidas e quais as reformas que o líder socialista no futuro irá concretizar. E não sabemos porque Sócrates também nunca o disse. Sabemos apenas que foi um bom ministro do ambiente do famigerado governo de Guterres e que nos propõe um “Choque Tecnológico”.&lt;br /&gt;Sabemos ainda que o povo português depositou nele toda a esperança que um ser humano pode ter e que dele espera o que o PSD e a direita não conseguem ou não sabem dar a Portugal.&lt;br /&gt;Os desafios colocados à maioria absoluta do PS são agora de maior grandeza. A responsabilidade é redobrada e as expectativas são monumentais.&lt;br /&gt;Ao povo resta aguardar que de uma vez por todas se comece a construir o futuro, podendo-se esperar desde já, e como sempre, com a sua iniciativa, com o seu trabalho e com a sua entrega, sem mais adiamentos, sem mais desculpas e sem mais pessimismos.&lt;br /&gt;Portugal merece um bom Governo, porque o seu povo é um dos povos que mais habitualmente tem demonstrado a sua maturidade democrática, que mais habitualmente tem demonstrado que sabe esperar, que sabe agir, que sabe acreditar, que acreditou… e que há-de vencer!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:78%;color:#666666;"&gt;Luis Pereira[26-02-2005]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8298410-110941689700339964?l=nneditorial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nneditorial.blogspot.com/feeds/110941689700339964/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8298410&amp;postID=110941689700339964' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/110941689700339964'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/110941689700339964'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nneditorial.blogspot.com/2005/02/um-povo-que-quer-e-sabe-vencer.html' title='Um povo que quer e sabe vencer'/><author><name>Notícias do Nordeste</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10884603007081570217</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8298410.post-110889513186711984</id><published>2005-02-20T10:19:00.000Z</published><updated>2005-02-20T10:25:31.873Z</updated><title type='text'>Cumpra-se o nosso dever e o nosso direito</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Votar além de um direito, é um dever.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Um direito outorgado ao povo por deliberação democrática e constitucional.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;O acto de votar, independentemente das opções politicas partidárias e ideológicas dos cidadãos maiores de dezoito anos, une todos os seres numa igualdade plena, onde cada um de nós exerce uma efectiva liberdade de escolha. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;O voto é nesta acepção o grande instrumento da vontade e da acção popular, o mecanismo capaz de transformar o destino e, de certa forma, de alterar “a causa das coisas”.&lt;br /&gt;Bem sei, bem sabemos todos, que o tempo que corre é copioso em desconfiança para com os políticos. E é certo que os cidadãos mais desconfiados têm a sua suspeição mais que justificada por um desfile de embusteiros que fingem estar ao lado do povo apenas e só na altura da campanha eleitoral. Depois, quase de forma sistemática, esquecem esse mesmo povo e as suas reais dificuldades, para se entregarem a jogatinas de poder onde quase sempre emergem os habituais comedores de dividendos.&lt;br /&gt;Se Portugal é um país atrasado, com grandes assimetrias regionais e sociais, onde a riqueza se concentra nas mãos de uma pequena parcela da população, a culpa não é do povo, nem de quem, no justificado acto cívico, de eleição em eleição deposita a sua escolha quase como um acto de fé, e lá para os seus botões vai acreditando: “ pode ser que seja desta…”.&lt;br /&gt;Mas não é. Nunca foi. E logo de seguida à tomada de posse dos ilustres políticos que foram sufragados pela liberdade de escolha de todos os cidadãos, se desembainha a habitual arrogância governamental, e todas as promessas eleitorais feitas com ênfase e emoção em plena campanha de “caça ao voto”, recolhem-se discretamente ao limbo das consciências hipócritas, para voltarem a aflorar, sem qualquer pejo, passados quatro anos. E a mudança real, aquela que deveria repercutir-se no grosso da população, na evolução e modernização do país delonga-se, como um anátema sem fim.&lt;br /&gt;Isto, claro, torna as pessoas desconfiadas e cada vez mais ariscas para com os políticos e para com a política. E não é de estranhar, portanto, que a abstenção tenha subido em flecha nos últimos actos eleitorais realizados no nosso país. Porque, na verdade, as pessoas têm memória, ao contrário do que pensam muitos dos pseudo inteligentes que por aí andam.&lt;br /&gt;O povo, as pessoas comuns, sabem e sentem objectivamente que a sua vida e a dos seus concidadãos em nada mudou, ou em nada muda de acto eleitoral para acto eleitoral, e por isso desleixam-se para com o dever e o direito de votar. E se bem vistas as coisas, de quem é a responsabilidade por esse desmazelo cívico dos cidadãos?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;O acto de não votar até poderia ser encarado como uma retaliação justa do povo para com os políticos incompetentes e mentirosos, se esse mesmo acto não colocasse perigosamente em risco o estatuto da democracia. Não votar é alheáramo-nos do instrumento mais eficaz que está consagrado nas sociedades de direito democrático.&lt;br /&gt; Através do voto é possível alterar a ordem das coisas, é possível expulsar os mais incompetentes do exercício do poder, é possível transformar e fazer evoluir a sociedade para melhor. Por isso, votar, não pode ser encarado como uma mera descarga no caderno eleitoral; o acto em si tem que ser pensado e reflectido, sem qualquer pressão mediática ou slogan de circunstância. Votar deverá ser um exercício sem coacção de qualquer natureza, deve ser a sínteses da análise do desempenho dos mandatados pela força do voto, e uma acareação séria das propostas, ideias e vontades apresentadas por cada um dos partidos que se candidatam a sufrágio. Deve ser um acto ponderado, maduro e sobretudo crítico.&lt;br /&gt;Se os políticos nos desagradam, se todos eles nos desagradam - ideia que não deixa de ser um exercício de pura especulação, porque no espectro partidário existirá sempre um partido que nos agrada -, então que se vote em branco, mas que se vote, porquanto o importante é votar!&lt;br /&gt;É indispensável expor a nossa vontade e exercer o nosso poder pelo voto. Por isso não se pode ficar em casa, já que esse é um acto que beneficia as aspirações das mentes com uma tendência mais ditatorial.&lt;br /&gt;Não ir votar não é um protesto, é uma irresponsabilidade e uma derrota.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Para que o povo português saia vitorioso no próximo dia 20 é indispensável que todos os portugueses votem, e que essa votação seja um claro sinal de que a democracia está viva e que só ela poderá construir uma sociedade mais justa e um melhor futuro. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:78%;color:#666666;"&gt;[18-02-2005] Luis Pereira&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8298410-110889513186711984?l=nneditorial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nneditorial.blogspot.com/feeds/110889513186711984/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8298410&amp;postID=110889513186711984' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/110889513186711984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/110889513186711984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nneditorial.blogspot.com/2005/02/cumpra-se-o-nosso-dever-e-o-nosso_20.html' title='Cumpra-se o nosso dever e o nosso direito'/><author><name>Notícias do Nordeste</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10884603007081570217</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8298410.post-110712214247392463</id><published>2005-01-30T21:51:00.000Z</published><updated>2005-12-07T15:50:38.166Z</updated><title type='text'>Barragem no sabor? Não, obrigado!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Não raras vezes existem flagrantes ocasiões para percebermos e analisarmos a verdadeira dimensão da pobreza de ideias e de visão estratégica que grassa nas mentes de alguns dos responsáveis políticos eleitos pela democracia e que em nome do povo destroem o que por inteiro pertence a esse mesmo povo.&lt;br /&gt;Muitas vezes somos também confrontados com a autêntica pouca vergonha de um país em decadência acelerada, onde habita uma sociedade triste, cabisbaixa, desesperançada. Um país que vai perdendo a razão de si num trépido passo que direcciona o abismo da inconsciência moral, legal e política, onde ninguém acredita em ninguém e muitos dos que possuem algum poder de decisão, utilizam esse poder aleatoriamente sem medir quaisquer consequências.&lt;br /&gt;O exemplo mais flagrante desta aragem terceiro mundista, decadentista e pífia que sopra nesta nossa terra como “malvado vento suão”, foi a decisão de construir a barragem no Baixo Sabor.&lt;br /&gt;O estado português obrigou ao cumprimento dos requisitos iniciais que as directrizes europeias estabelecem e deliberou a realização de um Estudo de Impacto Ambiental (EIA) com o intuito de determinar as consequências impactantes provocadas por um projecto com a dimensão e as características da barragem que aí se pretende construir.&lt;br /&gt;Até aqui nada de anormal. Cumpriram-se os trâmites legais e tudo parecia correr normalmente como se de um país civilizado se tratasse.&lt;br /&gt;De seguida mandaram-se os técnicos ao terreno para que se efectuassem os indispensáveis estudos que integram cada um dos diversos descritores que compõem um EIA. O objectivo deste trabalho consistiu em apurar os verdadeiros malefícios que o “monstro” irá trazer. E foram muitos, pelo que se viu, tanto para o ambiente como para o património.&lt;br /&gt;Uma vez obtidos os resultados, e depois de condensados em relatório, forma-se a Comissão de Acompanhamento (CA) congregante de várias instituições especializadas em diversos domínios técnicos. Para que se possa ter uma ideia do funcionamento de uma CA, basta dizer que, por exemplo, participam instituições como o Instituto de Conservação da Natureza, Parques Naturais, Instituto Português de Arqueologia, Instituto Português do Património Arquitectónico e outras mais, dependendo essa participação da natureza e da dimensão de cada um dos projectos sujeitos a um EIA.&lt;br /&gt;Após a análise do relatório, cada uma destas instituições tem como missão produzir um parecer técnico que exprima a sua posição relativamente ao impacto causado sobre o seu descritor. Se esse impacto for demasiadamente elevado sobre uma ou mais áreas do estudo, pode dar-se o caso de ser produzido um parecer que desaconselhe por completo a viabilização do projecto.&lt;br /&gt;Foi isso exactamente que se passou relativamente ao Estudo de Impacto Ambiental da barragem do Baixo Sabor. Depois de analisadas convenientemente as consequências negativas que este projecto vai trazer ao ambiente, o Instituto de Conservação da Natureza (ICN) produziu um parecer que desaconselhava em absoluto a sua construção, uma vez que esta barragem viola a legislação ambiental a que Portugal está sujeito no âmbito da directrizes comunitárias.&lt;br /&gt;Se vivêssemos num país evoluído e com verdadeiras preocupações pelo ambiente, pelo futuro e pela região, este parecer seria mais do que suficiente para abandonar de vez o projecto e começar a pensar em outras alternativas de produção energética. Até porque os cálculos até agora realizados consideram que a barragem do Baixo Sabor poderá contribuir apenas com 0,5 por cento da energia eléctrica consumida em Portugal.&lt;br /&gt;Será então este um argumento suficientemente válido para que o ex- Ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território, Arlindo Cunha, tivesse deliberado a sua construção à revelia dos conteúdos do estudo de impacte ambiental e do parecer do instituto de Conservação da Natureza? A resposta é simples e resume-se um redundante não. Não são uns meros 0.5 % de produção energética que justificam a alteração da morfologia de um dos mais belos vales de Portugal; não são uns ridículos 0.5% de produção energética que justificam a destruição de ecossistemas raros e únicos na região, colocando-se assim em perigo algumas espécies que se apresentam com estatuto especial de protecção. Não são uns meros 0.5 % que legitimam a destruição de recursos agrícolas que produzem produtos com grandes potencialidades, como é o caso do azeite nascido no vale de Felgar; não podem ser uns meros 0.5 % que abonam a destruição de um imenso potencial de património arqueológico e etnográfico; não são uns meros 0.5 % que vão dar cumprimento ao compromisso assumido por Portugal no Protocolo de Kyoto, onde foi acordado que até 2010 o nosso país produziria 39% de energias renováveis, porque, como se sabe, uma barragem não se constrói num dia e até 2010, caso a barragem do Sabor venha a ser construída, em nada contribuirá para atingir essa fasquia percentual.&lt;br /&gt;Mas se estas causas não fossem suficientes, outras haveria de tão ou maior importância.&lt;br /&gt;E a mais importante de todas elas é o direito que a região do nordeste tem em desenvolver-se sustentavelmente.&lt;br /&gt;O conceito de Desenvolvimento Sustentado foi proposto pela primeira vez pela Senhora Gro Harlem Brundtland, Primeira Ministra da Noruega, num relatório intitulado “Our common future”, que no ano de 1987 entregou à Comissão Mundial do Meio Ambiente e Desenvolvimento das Nações Unidas. O princípio essencial do conteúdo desse documento assenta numa formulação simples, baseada num reconhecimento dos direitos das pessoas que irão viver num tempo futuro. No essencial, o conceito de desenvolvimento da Senhora Gro Harlem Brundtland é entendido como um processo de transformação social e económica que faz face às necessidades actuais de forma controlada e ponderada, sem nunca comprometer ou pôr em causa as necessidades e os direitos das gerações futuras.&lt;br /&gt;Ora, esta é a grande questão que deve ser equacionada para o caso da barragem do Sabor!&lt;br /&gt;Porque o rio e o vale no seu actual estado natural constituem um inestimável recurso de desenvolvimento futuro para a região e para as gerações que, espera-se, venham a habitar o nordeste. Por isso, qualquer acto ou decisão mais inconsequente configurar-se-á sempre como irreversível. E é aqui que deve ser pesada a responsabilidade de quem decidir destruir parte significativa do Vale deste rio.&lt;br /&gt;Se fizermos um pequeno esforço de racionalidade, facilmente perceberemos que uma barragem como a do Sabor, e à semelhança de tantas outras, não passará de uma imensa represa de água aprisionada, sem qualquer utilidade que não seja a de accionar as monumentais turbinas capazes de gerar os quilowats que seguirão direitinhos para ajudar a embaratecer o consumo de energia das indústrias do litoral. Aqui, no nordeste e entre os nordestinos, tudo continuará igual, com excepção do que entretanto se perdeu.&lt;br /&gt;A questão da reserva estratégica de água, que muitas vezes é colocada como causa séria e fundamental para o futuro, é mais um conceito absurdo, ou uma falsa questão, que só serve para encapotar a incapacidade de negociação que os sucessivos governos de Portugal tiveram no “dossier da água” frente aos nossos vizinhos espanhóis.&lt;br /&gt;Em todo este cenário que põe em conflito alguns políticos e todos os ambientalistas , o que deve ser realçado é a distinção entre uma medíocre visão estratégica de desenvolvimento regional e uma consistente, ponderada e moderna visão de futuro, assente em parâmetros técnicos e científicos mais do que reconhecidos e mundialmente respeitados. Alguns senhores que lamentavelmente defendem com “unhas e dentes” a destruição da sua terra, deveriam, de uma vez por todas, consciencializar-se que o ambiente e as questões com ele relacionadas não são meras questões saídas do livre arbítrio das associações ambientalistas. As questões ambientais são fundamentais para planear o futuro e garantir a qualidade de vida dos nossos filhos. Porque esses, os nossos filhos, são aqueles que menos culpa têm dos erros e atrocidades cometidas no presente.&lt;br /&gt;Por isso, considero imponderada a atitude de muitos responsáveis indígenas, que além de serem coniventes com a destruição do nosso património, consideram esta barragem com uma dádiva do deuses e se empenham numa luta sem tréguas para alterarem o que ao longo de centenas de milhares de anos a alento da natureza nos legou.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:78%;color:#666666;"&gt;Luis Pereira&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8298410-110712214247392463?l=nneditorial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nneditorial.blogspot.com/feeds/110712214247392463/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8298410&amp;postID=110712214247392463' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/110712214247392463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/110712214247392463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nneditorial.blogspot.com/2005/01/barragem-no-sabor-no-obrigado.html' title='Barragem no sabor? Não, obrigado!'/><author><name>Notícias do Nordeste</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10884603007081570217</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8298410.post-110451361889234057</id><published>2004-12-31T17:16:00.000Z</published><updated>2004-12-31T17:20:18.893Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Quem tem medo da democracia?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;Habitualmente somos confrontados com atitudes, gestos, preferências, ideias diferentes, modos de encarar a vida; com uma religiosidade fervorosa ou com um ateísmo materialista, cuja essência mais elementar reside numa palavra simples mas de um valor inestimável.  A essa palavra chamamos liberdade. O livre arbítrio é isso mesmo: a decisão individual, a liberdade de escolha, de comportamento, de opinião, de acção. Mas é necessário sublinhar que essa acção, opinião ou comportamento para ser plenamente livre não deve interferir ou pôr em causa a liberdade do próximo.&lt;br /&gt;A este modelo de responsabilidade e respeitabilidade pelo outro chama-se democracia. A palavra tem uma origem remota e etimologicamente deriva da composição do termo grego “demos” que significa povo, e “kratos” que significa autoridade. Sinteticamente, a democracia representa a autoridade do povo, numa acepção geral relativa à organização de um regime político-social onde cada indivíduo, independentemente da cor, sexo, filiação política ou credo religioso, tem o direito a ser reconhecido como membro igualitário dentro de uma comunidade, estando-lhe assegurado o direito de participação da direcção e gestão dos assuntos públicos.&lt;br /&gt;É a democracia que permite a institucionalização da liberdade, garantida, no caso português, pelo documento orientador, ou Lei fundamental do estado de direito democrático, que é a Constituição.&lt;br /&gt;Na essência do seu corpo teórico, a Democracia estabelece um variado leque de princípios e de práticas cujo intuito último é a protecção da Liberdade Humana.&lt;br /&gt;Apesar de frequentemente se radicar a origem do modelo democrático na Grécia clássica, e o seu primeiro esboço teórico e doutrinário em pensadores como Aristóteles, só muito recentemente é que a Democracia se estabeleceu como sistema capaz de garantir alguns direitos e liberdades fundamentais.&lt;br /&gt;Na era Moderna, é à filosofia moralista de Montesquieu  que se deve um fundamental contributo, sendo certo que o seu esquema permanece ainda como o principal arquétipo da actual teoria política. Segundo o seu pensamento, expresso no livro fundamental intitulado “De l'esprit des lois (1748; Do espírito das leis)”, a liberdade política seria assegurada pela separação e independência dos três poderes fundamentais do estado: legislativo, executivo e judicial.  E sem se aperceber do verdadeiro alcance desta sua formulação, Montesquieu acabou por conceber os princípios que viriam a ser o fundamento da democracia contemporânea.&lt;br /&gt;Não menos importante, foi a autêntica “Revolução” teórica/político-social concebida e tornada pública pelo “filósofo de Genebra” Jean-Jacques Rousseau.&lt;br /&gt;No “Discurso sobre a origem e fundamentos da desigualdade entre os homens”, texto produzido para um concurso lançado pela Academia de Dijon em 1754, Rosseau formulou um debate essencial ao questionar  “a origem da desigualdade entre os homens e se ela é autorizada pela lei natural”. Evidentemente que numa sociedade de poder absolutista, esta questão surgiu como uma “diáclase mental”, demasiadamente evoluída para poder ser debatida, e o texto acabou por ser considerado como despropositado, inconcebível e estéril. Contudo, a sua semente tinha caído numa terra amordaçada, ávida de liberdade, e esta interrogação do autor do “Contrato Social” acabou por germinar os principais conceitos onde havia de assentar a grande reivindicação  da Revolução Francesa: a trilogia que reconhece ao homem a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade.&lt;br /&gt;É com a Revolução Francesa, que logo de seguida é exportada para a América, que se inicia o processo de consolidação das sociedades democráticas. Desde então, 1789, o mundo ocidental mudou, apesar de muito boa gente considerar que essa mudança se tem processado de uma forma demasiado lenta, rudimentar e, o que é mais lastimável, sob o controle atento e perverso de um modelo económico que dá pelo nome de capitalismo. Mas esta seria uma temática que nos levaria a uma discussão de longo teor, sem dúvida interessante, mas  impossível de expor num espaço de opinião como este....&lt;br /&gt;Vamos então ao que verdadeiramente interessa abordar com este meu escrito.&lt;br /&gt;O sistema democrático actual, encarado ainda como muito deficitário, tem vindo a ser limado, apurado e desenvolvido em muitos países deste nosso planeta, mas em Portugal, e apesar da sua juventude enquanto modelo político e social, o sistema parece cada vez mais Combalido por uma doença endémica cujo principal vírus é a incapacidade de ouvir o outro, de tolerar o outro, de respeitar as ideias do outro, de aceitar as criticas e propostas do outro; de respeitar e considerar que o adversário político também é capaz, também sabe fazer e também é inteligente.&lt;br /&gt;Se descermos à escala da nossa região, então a doença agrava-se exponencialmente e os cidadãos afectados por tal mazela multiplicam-se numa velocidade tão real quanto irracional.&lt;br /&gt;Democracia nada mais é, ou nada mais deveria ser, do que a responsabilidade cívica que cada um de nós deveria exigir do seu semelhante. Esta responsabilidade cívica assenta no direito implícito de participar integralmente no sistema, ou se quisermos, no regime, exercendo directamente o poder político, ou depositando pela via do voto a confiança de representação em outras pessoas.&lt;br /&gt;Mas é precisamente aqui que surge o conflito, a intolerância, a  tal irracionalidade, e sobretudo a irresponsabilidade cívica, quer de quem elege, quer de quem é eleito.&lt;br /&gt;Se atentarmos no exercício público dos direitos instituído pelo sistema democrático com o que é deparamos na nossa região?&lt;br /&gt;Deparamos com um ambiente de intolerância generalizada, onde o que mais conta não é o interesse público, mas sim o interesse de uma “seita”.&lt;br /&gt;Deparamos com uma total ausência de diálogo entre eleitores e eleitos, entre poder e oposição.&lt;br /&gt;Deparamos com atitudes de eleitos que emanam de mentes verdadeiramente despóticas.&lt;br /&gt;Deparamos com uma perda gradual de direitos fundamentais.&lt;br /&gt;Deparamos com submissões absurdas que não raras vezes resultam da necessidade de um trabalho, de um emprego.&lt;br /&gt;Deparemos com uma total falta de respeito entre quem exerce o poder e a oposição que procura esse mesmo poder.&lt;br /&gt;Deparemos com uma generalizada falta de empenhamento pela “coisa pública”, onde as propostas dos que se opõem, mesmo que magnificas ou de manifesta utilidade pública, vão parar ao caixote do lixo, só porque foram pensados e concebidas pelos  opositores.&lt;br /&gt;Deparamos com guerras de capelinha inconsequentes e de uma esterilidade absurda.&lt;br /&gt;Deparamos com certos moralistas paroquiais que destilam uma ignorância venenosa numa personalidade hipócrita, vestida a rigor na praça de ocasião.&lt;br /&gt;Deparamos com uma turba de surdos, onde só se ouve o próprio umbigo, porque o umbigo de cada um destes intervenientes com um pouquinho de poder, constitui-se sempre como o centro do universo. De um certo universo. De um mesquinho, depauperado e restrito universo.&lt;br /&gt;Na essência, o sistema democrático na nossa região apresenta-se ainda como muito mais arcaico do que o modelo que no distante ano de 1789 dava os seus primeiros passos em França.&lt;br /&gt;No fundo, um número significativo de políticos transmontanos nunca foram verdadeiramente tocados pelo “espírito da democracia”, embora utilizem sempre os “chavões” democráticos e até sejam capazes de se apresentarem em público com o cravo ao peito no dia 25 de Abril.&lt;br /&gt;Mas a democracia não se resume a esse alarido folclórico ou à desenfreada caça ao voto!&lt;br /&gt;Não se resume aos sorrisos dentífricos, abraços, beijos e comoções dos quinze dias que antecedem qualquer acto eleitoral.&lt;br /&gt;A democracia requer resultados visíveis, traduzidos em concretizações de  evidente benefício público.&lt;br /&gt;A democracia requer uma confiança absoluta em quem é mandatado pela força do voto. E essa confiança, como muito bem se sabe, não existe.&lt;br /&gt;Ser político de ascendência democrática requer “alma”. Requer uma elevada dose de humanismo. Requer um elevado poder de encaixe perante as criticas que colidem com o egocentrismo antidemocrático de muitos dos exemplares de circunstância que por aí existem, e que não raras vezes delongam a sua inércia num efémero pedaço de poder concedido pela “boa vontade” popular.&lt;br /&gt;Ser democrata requer a aceitação da diferença do outro, requer ponderação, análise, justeza, compreensão, respeito, integridade, verdade, diálogo, entrega, competência, altruísmo e muitos, muitos mais “predicados” que só por si dariam para encher este texto.&lt;br /&gt;Quando alguém se responsabiliza e se apresenta como susceptível de ser mandato pelo povo, então tem que saber ouvir esse povo. Tem que ter a capacidade de argumentar construtivamente, de confrontar saudavelmente a sua opinião e os seus conceitos com as opiniões e os conceitos dos seus antagonistas.&lt;br /&gt;Tem que ter capacidade de acção e de aceitação do mais adequado para resolver os problemas colectivos.&lt;br /&gt;Todos os que se submetem a sufrágio não podem fugir, ou fingir, ou ignorar. Quando se aceita um desafio de responsabilidade pública, tem que se ter a mais absoluta obrigação de o saber concretizar, de ter a hombridade de verter o suor até à última gota, independentemente de interesses partidários ou de pretensões ignobilmente carreiristas. E, sobretudo,  tem que se ter a capacidade  de saber “jogar limpo”....&lt;br /&gt;Em democracia a ignorância, a intolerância e a demagogia conluiam mal. E o resultado quase sempre se resume ao ensinamento expresso nas palavras que Mahatma Gandhi nos deixou: “a intolerância é em si uma forma de violência e um obstáculo ao desenvolvimento do verdadeiro espírito democrático”.&lt;br /&gt;Que fique então esta  reflexão de Mahatma Gandhi para o ano de 2005, que como se sabe, no nosso país, agendará dois importantíssimos actos eleitorais.Que o ano de 2005 seja um excelente ano para todos os portugueses.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:78%;color:#666666;"&gt;Luis Pereira&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8298410-110451361889234057?l=nneditorial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nneditorial.blogspot.com/feeds/110451361889234057/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8298410&amp;postID=110451361889234057' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/110451361889234057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/110451361889234057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nneditorial.blogspot.com/2004/12/quem-tem-medo-da-democracia.html' title=''/><author><name>Notícias do Nordeste</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10884603007081570217</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8298410.post-110192332335610072</id><published>2004-12-01T17:35:00.000Z</published><updated>2004-12-01T17:48:43.356Z</updated><title type='text'>A propósito da dissolução do Parlamento</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;Li recentemente um pequeno texto, disponível no site do INE (Instituto Nacional de Estatística), que constituiu a base para a redacção de um artigo de opinião que hoje mesmo seria editado aqui no Noticias do Nordeste. Contudo, os acontecimentos de ontem, acabaram por transformar esse meu artigo num texto sem préstimo, ultrapassado, e sem a actualidade desejada, uma vez que o que se criticava era o Governo de Santana Lopes, e o que se pedia era eleições antecipadas. Ora, essas vêm aí  em Fevereiro, já que Jorge Sampaio, numa decisão que peca por tardia, resolveu ontem dissolver a Assembleia da República. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;A permanência de Santana Lopes durante quatro meses à frente dos destinos do país teve algumas consequências gravosas, bem documentadas pelo descontentamento generalizado de variados sectores da política, da sociedade e da economia portuguesa. Em apenas quatro meses o governo de Santana Lopes conseguiu destruir o “bebé da incubadora”, se como “bebé” interpretarmos a débil recuperação que a economia portuguesa estava a ter.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;Se tivermos como referência esse pequeno texto do INE que inicialmenete aludi, com o titulo “Síntese Económica de Conjuntura”, verificamos que durante os últimos meses Portugal  se comportou a nível económico como um verdadeiro caranguejo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;Esse documento, refere-se ao terceiro trimestre de 2004 e é produzido com base na informação disponível até 19 de Novembro. O INE descreve um quadro pouco optimista para a fase conjuntural que a economia portuguesa atravessa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;No terceiro trimestre do ano “o indicador de actividade abrandou”, o mesmo acontecendo com “o indicador de clima económico”, o que demonstra, segundo o INE, “que as expectativas dos agentes económicos sobre a evolução da economia se apresentam menos favoráveis”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;Mas o quadro escuro que é rabiscado nessa síntese, fica ainda mais carregado com os índices apontados para a Taxa de Desemprego. Segundo os dados recolhidos até Outubro de 2004 “o emprego diminuiu ligeiramente, o desemprego aumentou mais intensamente e a taxa de desemprego alcançou o nível mais elevado desde 1998”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;Se continuarmos a leitura do documento verificamos que a situação é ainda muito mais gravosa, uma vez que as quebras que ditaram o abrandamento da actividade económica se localizam na indústria transformadora, ou seja, num dos principais sectores da economia portuguesa. Aqui a quebra chegou a atingir uma cifra negativa de “-2,8% do índice de produção, quando esta medida ainda registara uma variação positiva no trimestre precedente”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;Por aqui se poderá avaliar a confiança que o Governo de Santana Lopes inspirava nos Agentes Económicos. Mas… adiante.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;Um outro indicador vulgarmente utilizado para aferir a saúde da economia portuguesa é o sector da construção. Ora, segundo este relatório trimestral “&lt;em&gt;na construção, o andamento negativo voltou a acentuar-se, passando a variação homóloga do índice de produção para -5,1%, quando no segundo trimestre se situara em -2,8%. Este agravamento registou-se tanto na construção de edifícios como nas obras de engenharia&lt;/em&gt;”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;E o que se passou nos outros sectores? Vejamos então o que apurou o Instituto Nacional de Estatística:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;“&lt;em&gt;Nos serviços observou-se um abrandamento significativo do crescimento do volume de negócios, na ordem de 4,0 pontos percentuais, generalizado aos principais sub sectores, mas com destaque para o comércio por grosso e de automóveis, os serviços imobiliários e de prestação de serviços às empresas, e os de alojamento e restauração. A única excepção foi o comércio a retalho, tendo o índice crescido mais intensamente do que anteriormente&lt;/em&gt;”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;Mas as más notícias não ficam por aqui. O texto de súmula do INE sobre a actual realidade conjuntural portuguesa continua com a referência a dados que constituem forte matéria de preocupação.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;Que concluímos daqui numa primeira abordagem empírica?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;O que imediatamente se constata é que este abrandamento, e de certa forma retrocesso da economia portuguesa, se processou exactamente num período de grande instabilidade política criada pela governação de Santana Lopes. Se antes da sua tomada de posse se esboçava uma retoma da confiança por parte dos agentes económicos portugueses, essa retoma parece ter-se esvaído, parece ter-se retraído, conforme atestam os dados recolhidos pelo INE.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;Na verdade, Portugal construiu nos últimos quatros meses, uma verdadeira paródia sobre si mesmo. E tudo começou quando um Presidente da Republica eleito pelos votos da esquerda viabilizou um primeiro–ministro não sufragado pelos eleitores portugueses, e com ele todo um Governo que passa para a história como o mais à direita de que há memória desde o 25 de Abril.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;Ms o mais dramático é  que esse Governo entra logo com o pé “esquerdo”, e o seu responsável máximo troca de imediato os pés pelas mãos no processo de nomeações em cargos de gestão de alta responsabilidade, com efectivamente o são as Secretarias de Estado. Depois veio o escândalo da colocação de professores, seguiu-se o caso Marcelo, e agora a crise criada com a demissão do ministro Henrique Chaves.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;Ora, toda esta situação faz-me lembrar aquele conceito de “barracada” à portuguesa, uma vez que sobre tudo isto foi montada uma verdadeira tenda de paródia nacional, onde parecia interessar mais o riso que se gerava com as “patacoadas comportamentais” dos políticos no poder, do que a responsabilidade que deveria ser exigida a esses mesmos políticos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;No meio de toda esta autêntica “anedota nacional” de que todos fizemos um pouco parte, lá surgiu a coragem de uma voz mais sisuda, mas ao mesmo tempo uma das poucas vozes que se poderá considerar como verdadeiramente respeitável. Refiro-me, claro está, a Cavaco Silva, que como político competente, ilustre professor e responsável cidadão, decidiu gritar no último fim-de-semana contra esta autêntica “pouca vergonha” que estava instalada em Portugal.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;Sabemos que Cavaco foi um dos primeiros – ministros com maior competência a nível técnico na história do pós 25 de Abril, e por isso mesmo foram consideradas alarmantes as suas declarações. Porque quando Aníbal Cavaco Silva denunciou a incompetência de alguns políticos portugueses, não pretendeu dirigir-se à oposição. Pretendeu sim dirigir-se aos políticos que tinham de pôr à prova as suas verdadeiras capacidades e competências. E essa obrigação para com os portugueses cabia sobretudo àqueles que detinham e ainda detêm os cargos de decisão, ou seja, cabia ao PSD e ao CDS/PP.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;Por isso, o destino de Santana Lopes parece ter ficado traçado desde o último fim-de-semana, porque é a sua própria “família” política que se insurge contra o autêntico descalabro que tinha atingido a democracia portuguesa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;Não sei se as declarações de Cavaco Silva ajudaram de alguma forma ao desenrolar dos acontecimentos, mas o certo é que logo de seguida o  Senhor Presidente da República resolveu pôr cobro às traquinices do “menino Lopes”. No entanto, todo este tempo que mediou entre a fuga de Durão Barroso e o dia de ontem, 30 de Novembro, criou algumas mazelas económicas, cuja recuperação e cura terão mais uma vez de sair do esforço colectivo dos portugueses. Por isso, se ontem foi dia de acabar com o circo, hoje é hora de recomeçar a semear o pão. E, parafraseando Cavaco Silva, esperemos que com as próximas eleições “ a moeda boa seja capaz de afastar a moeda má”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:78%;color:#666666;"&gt;Luis Pereira&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8298410-110192332335610072?l=nneditorial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nneditorial.blogspot.com/feeds/110192332335610072/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8298410&amp;postID=110192332335610072' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/110192332335610072'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/110192332335610072'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nneditorial.blogspot.com/2004/12/propsito-da-dissoluo-do-parlamento_01.html' title='A propósito da dissolução do Parlamento'/><author><name>Notícias do Nordeste</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10884603007081570217</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8298410.post-110051054660474282</id><published>2004-11-15T09:18:00.000Z</published><updated>2004-11-15T09:22:26.606Z</updated><title type='text'>Barcelos deu milho ao “cócórócócó”</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;Todos os portugueses sabem que Santana Lopes é um Primeiro  Ministro fraco. Todos os portugueses sabem que Santana Lopes é um populista. Todos os portugueses sabem que Santana Lopes não reúne consenso entre a “Inteligência” do PSD. Todos os portugueses sabem e têm presente o descalabro despesista do autarca “Jet-Set” , que deixou na margem da agonia as finanças da Câmara Municipal da Figueira da Foz e da Capital Portuguesa. Todos sabem que assim é, mas também todos os portugueses têm razão ao afirmarem que “ a culpa não é deles, e que por isso têm direito a meter a cabeça na areia e a deixar tocar o barco enquanto houver ventos alísios, porque os alísios, diz-se, são responsáveis pela renovação das águas superficiais do oceano”.Todos nós portugueses, democratas e pluralistas sabemos que Santana Lopes não é um Primeiro Ministro eleito democraticamente pelos  votos dos eleitores portugueses, e talvez porque Santana Lopes também o saiba e pressinta já uma adversa maresia, decidiu ontem, no dividido Congresso do PSD de Barcelos, impor o seu “canto de galo”, qual grito lancinante para a manutenção no poleiro. O PSD é um partido democrático e historicamente orgulhoso de militâncias e ideólogos que sempre souberam combater em prol da democracia, da liberdade da justiça e dos interesses dos portugueses. Podemos discordar das metodologias ou exegeses de alguns, e eu pessoalmente tenho discordado vários milhares de vezes, mas o que não poderemos pôr em causa é o facto de o PSD não ser um Partido Democrático. Pelo menos foi, e penso que ainda o é. Mas os portugueses mais avisados, e sobretudo aqueles que viveram, ou  que têm lido alguma coisa sobre a nossa história mais recente, têm direito a ficarem reticentes, a ficarem sorumbáticos, a ficarem meditabundos. A postura “santanista” que eclodiu no último Congresso do PSD ontem em Barcelos  (por ironia esta terra sempre esteve e ainda está ligada ao famoso “galo”, galo esse que  foi símbolo de Portugal durante o antigo regime), evidencia as seguintes realidades:&lt;br /&gt;- Que Santana Lopes é efectivamente um político com responsabilidade duvidosa, por tratar a “Coisa Pública” com a displicência com que se trata a paróquia conservadora. (Consulte-se a imprensa nacional quanto às expectativas exponenciais do político responsável pelo destino de Portugal relativamente ao arranque e desenvolvimento da nossa Economia sobre a batuta da sua varinha de condão. E pensem sobretudo na sua ousadia política ao anunciar o paraíso social e económico dos próximos tempos...).&lt;br /&gt;- Que Santana Lopes é efectivamente um político cabotino. (Mas isso já muita gente o sabe, e portanto também não é uma grande novidade).&lt;br /&gt;- Que Santana é Lopes é um político de cariz populista e ousadamente perigoso que emergiu das entranhas de um partido democrático para aplicar os ensinamentos da “cartilha passadista” e se expor na exemplaridade de alguns mal recordados políticos da nossa história recente (...).Se se confirmar o meu último augúrio, Portugal só tem a perder, e o nosso futuro corre um certo risco de se tornar lamentavelmente passado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:78%;color:#cccccc;"&gt;L.P&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8298410-110051054660474282?l=nneditorial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nneditorial.blogspot.com/feeds/110051054660474282/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8298410&amp;postID=110051054660474282' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/110051054660474282'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/110051054660474282'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nneditorial.blogspot.com/2004/11/barcelos-deu-milho-ao-ccrc_110051054660474282.html' title='Barcelos deu milho ao “cócórócócó”'/><author><name>Notícias do Nordeste</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10884603007081570217</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8298410.post-109973395818071900</id><published>2004-11-06T09:38:00.000Z</published><updated>2004-11-06T09:39:18.180Z</updated><title type='text'>NN dá o seu primeiro passo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;Hoje é o primeiro dia do resto da vida do Notícias do Nordeste. Esta caminhada com um traçado ainda pouco definido é assim inaugurada, sabendo-se de antemão o grau de dificuldade que um projecto com estas características acarreta. O Notícias do Nordeste não tem jornalistas profissionais, pelo menos por agora, e todo o conteúdo que a nossa edição publicar nos dias que se seguirem, será sempre o resultado da entrega de um pequeno grupo de pessoas que tem como objectivo fundamental a comunicação, o debate e a exposição objectiva das realidades quotidianas que a Região Nordeste encerra. Não temos ambições de qualquer natureza, e o nosso norte apontará sempre para este Nordeste. Para este nordeste cansado e quase moribundo de tanto abandono; para este nordeste esquecido, sistematicamente olvidado pela petulância do “poderoso” centralismo nacional; para este Nordeste onde prolifera a incapacidade quase atávica de um variado e significativo número de políticos locais que surgem cada vez mais conluiados com a ausência de soluções transformistas, ambientalmente e culturalmente sustentáveis ou socialmente exequíveis.&lt;br /&gt;O Notícias do Nordeste, mais do que um modesto informativo digital, pretende ser uma edição de ideias novas, sem preconceitos; uma edição de ideias arejadas, suficientemente pertinentes e capazes de arrostar de forma realista a nossa verdadeira natureza.&lt;br /&gt;Não temos dependência de quaisquer tipos de interesses ou de poderes instalados.&lt;br /&gt;Somos de essência plenamente livre, responsável e democrática.&lt;br /&gt;Estamos aqui para denunciar, para ouvir, para contrapor, para debater.&lt;br /&gt;O Notícias do Nordeste para além da objectividade e preceito ético que pretende colocar na emissão das suas notícias, pretende também ser um espaço de intervenção cívica, um espaço aberto à opinião de todos aqueles que se preocupam com a situação actual e com o devir da região onde vivem; um espaço aberto às ideias e às propostas de todos os que ainda amontoam alguma esperança e acreditam numa solução de futuro para o Nordeste. E é isso e somente isso o que pretendemos fazer. Não pretendemos vir para este espaço ou canal privilegiado de comunicação global com a postura de pregadores de deserto. O que pretendemos é o debate, o que pretendemos é ouvir as vozes críticas, o que pretendemos é opinar, contestar, concordar, enfim… questionar as razões e os porquês deste nosso atraso estrutural.&lt;br /&gt; Por isso este jornal, que nos tempos mais próximos assentará exclusivamente num suporte electrónico, surge meramente com o intento de se transformar numa voz, numa voz clara, cheia, carregada das grandezas e das misérias deste nordeste, embora saibamos, por experiência própria, que essa voz poderá correr o risco de esbarrar no silencioso ermo desta anciã terra e sucumbir lentamente fatigada pelo grito.&lt;br /&gt;Mas quem nos conhece sabe que somos persistentes e que estamos permanentemente dispostos a moldar o barro do sonho até divisar a feição do real.&lt;br /&gt;Não temos um caminho traçado. Não temos um horizonte de chegada. Somos pouco ou nada calculistas e a nossa ambição reduz-se às palavras do poeta que em apenas dois versos sintetiza a essência deste projecto: “&lt;em&gt;Caminhante, não há caminho, / faz-se caminho ao andar&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;E é com esse propósito que o Notícias do Nordeste decide dar hoje o seu primeiro passo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8298410-109973395818071900?l=nneditorial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nneditorial.blogspot.com/feeds/109973395818071900/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8298410&amp;postID=109973395818071900' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/109973395818071900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8298410/posts/default/109973395818071900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nneditorial.blogspot.com/2004/11/nn-d-o-seu-primeiro-passo.html' title='NN dá o seu primeiro passo'/><author><name>Notícias do Nordeste</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10884603007081570217</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
